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‘Não me arrependo de nada’, diz delegado, sobre filho de Lula

Rodrigo Luís Galazzo afirma a VEJA que pediu busca e apreensão na casa de Marcos Cláudio Lula da Silva sem saber de quem se tratava

Por Ullisses Campbell - Atualizado em 17 out 2017, 21h57 - Publicado em 17 out 2017, 21h33

O delegado Rodrigo Luís Galazzo, que comandou a busca e apreensão na casa do psicólogo Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quebrou o silêncio. Em entrevista a VEJA, ele disse que não sabia quem morava na residência e deixa claro que, se voltasse no tempo, faria tudo exatamente igual. Com 44 anos e 13 como delegado de polícia, ele disse ser comum pedir mandados de busca e apreensão apenas com base em indícios e suspeitas, mesmo sem um inquérito em andamento. “Não me arrependo de nada”, afirmou.

A operação foi realizada em cumprimento ao mandado da juíza Marta Brandão Pistelli, do fórum de Paulínia. Na quarta-feira (11), o secretário de Segurança de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, determinou instauração de procedimento administrativo para apurar em que condições ocorreu a diligência de busca e apreensão. Na segunda-feira, a juíza determinou sigilo no caso.

O senhor sabia que se tratava do filho do ex-presidente?

Em nenhum momento, eu sabia. Ao me dirigir para a residência, eu tinha o nome dos proprietários dos dois imóveis e em nenhum deles constava o nome do filho do Lula.

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Como descobriu que se tratava da casa do filho do Lula?

Quando toquei a campainha e pedi a identificação dos moradores. Ele me mostrou a carteira de identidade e tomei conhecimento.

O senhor tinha um mandado para buscar armas e drogas, mas acabou levando outros objetos, como computador e DVDs. Por que fez isso?

Existe jurisprudência firmada no Tribunal Regional Federal de que a autoridade policial, em uma busca e apreensão, pode recolher outro material que não seja o objeto da busca, caso esse material aponte indício de outras infrações penais. Foi isso que aconteceu. Foram apreendidos computadores e documentos para análise. Depois, a Justiça pediu que devolvêssemos tudo, e foi o que fizemos.

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O senhor foi movido por questões ideológicas?

Posso afirmar com mais de 100% de certeza que não sou filiado a qualquer partido político, não defendo nenhuma corrente ideológica muito menos sou simpatizante de partidos políticos. Sou simplesmente delegado de polícia.

Se o tempo voltasse, o senhor atuaria nessa investigação de forma diferente?

Não tinha como saber quem morava lá. O alvo era o local e não os moradores da residência, a não ser que eu tivesse um mandado de prisão, o que não era o caso. Fiz meu trabalho com lisura e transparência. Não me arrependo de nada.

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Como a denúncia de que havia armas pesadas e drogas na casa do filho do Lula chegou à sua delegacia?

Um morador ligou dizendo que suspeitava que havia armas e drogas nas duas residências em questão. Esse morador se identificou e foi pessoalmente à delegacia e contou as suas suspeitas. Com base nessa denúncia, fomos até o local e fizemos campanas. Como é um local reservado, resolvemos recuar para que as pessoas não notassem a presença de viaturas, mesmo que descaracterizadas.

Fora a denúncia, de onde vem a ideia de que poderia ter armamento pesado e drogas dentro da casa do filho do Lula?

Porque já havíamos apreendido grande quantidade de drogas em Paulínia e até armamento pesado, como fuzil.

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Os policiais viram que as placas dos carros eram de outros estados, mas não conseguiram pesquisar no sistema de quem eram esses carros?

Só conseguimos pesquisar a placa de um táxi, que não tinha nenhuma irregularidade. Em relação aos carros particulares com placas de outros estados, não conseguimos avançar na investigação.

 

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