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Não é comemoração, diz ministro da Defesa sobre aniversário do golpe de 64

Presidente Bolsonaro determinou que os quartéis façam as 'comemorações devidas' no dia 31 de março, dia do golpe militar

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 26 mar 2019, 18h10 - Publicado em 26 mar 2019, 17h18

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, afirmou, nesta terça-feira, 26, que o termo “comemoração” não é o correto para se referir a evento de aniversário do golpe militar de 31 de março de 1964. O presidente Jair Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa que faça as “comemorações devidas” do aniversário do 31 de março de 1964, quando um golpe militar derrubou o então presidente João Goulart e iniciou um período ditatorial que durou 21 anos. A orientação foi repassada a quartéis pelo país.

“O termo aí, comemoração, na esfera do militar, não é muito o caso. Vamos relembrar e marcar uma data histórica que o Brasil passou, com participação decisiva das Forças Armadas, como sempre foi feito”, afirmou o ministro, em Washington, nos Estados Unidos. “O governo passado pediu que não houvesse ordem do dia [no aniversário do golpe militar], este, ao contrário, acha que os mais jovens precisam saber o que aconteceu naquela data, naquela época”, afirmou o ministro.

Questionado sobre qual tipo de ato seria realizado, o general afirmou que haverá “uma formatura militar, palestra, ler a ordem do dia”. “Coisa que sempre a gente faz em todas datas. Todas as datas históricas do Brasil é feito isso, essa é mais uma”, afirmou, minimizando o evento.

Após Bolsonaro determinar a inclusão da data na ordem do dia das Forças Armadas, generais da reserva que integram o primeiro escalão do Executivo pediram cautela no tom para evitar ruídos desnecessários diante do clima político acirrado e do risco de polêmicas em meio aos debates da reforma da Previdência.

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    O ministro está nos Estados Unidos para a Conferência de Ministros da Defesa na Organização das Nações Unidas (ONU), na sexta-feira, em Nova York. Em Washington, ele se encontrou com o secretário de Segurança Nacional, John Bolton, e vai se reunir com o secretário de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan.

    Antes da reunião, Bolton afirmou no Twitter que os dois “continuavam” com as conversas entre os dois países e mencionou a designação que os EUA pretendem dar ao Brasil como aliado preferencial fora da Otan. A designação extra-Otan foi anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington, no último dia 19.

    Azevedo e Silva também assina, em Washington, o acordo de salvaguardas tecnológicas, que permite o uso comercial da base de Alcântara. O acordo, firmado durante a visita de Bolsonaro, prevê a assinatura do ministro da defesa.

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