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‘Não é caixa dois, é corrupção’, diz MP sobre João Santana

Polícia Federal identificou pelo menos U$ 7 milhões de dólares enviados a contas ocultas no exterior e com relação direta com João Santana

Por Da Redação 22 fev 2016, 12h51

Depois de o Partido dos Trabalhadores ter tentado emplacar a tese – fracassada – de que os pagamentos do escândalo do mensalão se resumiram a caixa dois de campanha, procuradores da força tarefa da Operação Lava Jato tomaram a frente para minar, desde esta segunda-feira, a possibilidade de recursos recebidos pelo marqueteiro João Santana no exterior serem meros recursos não contabilizados à Justiça Eleitoral. Para o procurador Carlos Fernando Lima, o caso de Santana, que recebeu pelo menos 7,5 milhões de dólares em contas secretas, “não é caixa dois”. “É corrupção”, resumiu ele.

Ao comentar a 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé, Lima ainda negou que haja uma espécie de disputa direta contra o Grupo Odebrecht, já investigado no petrolão, e alvo de novas medidas de investigação na nova etapa dos trabalhos de apuração. O MP chegou a pedir nova prisão do herdeiro e ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht, mas o juiz Sergio Moro negou o pedido.

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“Não existe queda de braço com a Odebrecht. Existe um trabalho normal da acusação e da defesa. O que temos hoje para este pedido de prisão [não acatado por Moro] são indicativos claros de obstrução por parte da empresa e especificamente de seu principal executivo, Marcelo Odebrecht, no sentido de retirar do Brasil pessoas que hoje identificamos como responsáveis por pagamentos no exterior”, explicou.

Para a força-tarefa da Operação Lava Jato, a Operação Acarajé reforça o envolvimento de Marcelo Odebrecht no escândalo do petrolão e escancara o pagamento de propina do conglomerado no exterior. Documentos em posse da força-tarefa do Ministério Público comprovam que existia uma planilha de pagamentos ilícitos feitos pela Odebrecht, com destinatários como “Feira”, uma referência ao marqueteiro João Santana, e JD, em alusão ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Segundo os investigadores, novos indícios apontam que Marcelo Odebrecht detinha o controle do caixa de propina do grupo e conhecimento amplo do uso de offshores para o depósito de dinheiro a corruptos. Na 23ª fase da Lava Jato, as suspeitas são de que Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares, que já foram ligados ao Grupo Odebrecht, e Fernando Miggliaccio da Silva atuavam nos pagamentos no exterior por ordem da companhia. Os dois últimos teriam sido retirados do país após buscas e apreensões na Odebrecht em junho de 2015, data da fase da operação que levou Marcelo Odebrecht para a cadeia.

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