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Na Bahia, petista usa impopularidade de Temer para se defender de rivais

Em debate da Band, José Ronaldo (DEM) e João Santana (MDB) exploraram temas da segurança pública e saúde para atacar governador Rui Costa (PT)

Por Rodrigo Daniel Silva - 17 ago 2018, 01h07

A impopularidade do governo Temer foi a arma usada pelo governador e candidato à reeleição Rui Costa (PT) para se defender dos ataques que vieram dos adversários, sobretudo de José Ronaldo (DEM) e de João Santana (MDB), no primeiro debate entre os postulantes ao governo da Bahia transmitido pela Band, nesta quinta-feira, 16.

Candidato mais escolhido pelos adversários para responder as perguntas, o petista foi alvo de críticas pelos índices de criminalidade no estado, pela economia “estagnada” e pelo “caos” na saúde. No início do debate, os postulantes tiveram que dizer como pretendem atuar na área da educação para resolver o problema da segurança pública.

Sem mencionar o tema da segurança, Rui Costa ressaltou os investimentos da gestão para que jovens tenham educação profissional e que consiga o primeiro emprego. O candidato do DEM disse que a Bahia tem “gigantescos” indicadores de violência e que o governo não construiu “nenhuma escola”.

Marcos Mendes (PSOL) lembrou que o governador comparou os policiais acusados de matar jovens no bairro do Cabula, em Salvador, em 2015, a “artilheiros na frente do gol”. “Vários jovens negros foram assassinados no Cabula e ele disse que a polícia fez um gol. Quantos gols precisam ser feitos para a gente tratar esses jovens negros da periferia de forma digna?”, questionou o socialista.

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O emedebista disse que o estado baiano tem “insegurança pública e não segurança pública”. O candidato à reeleição se defendeu com o argumento de que trocou todas as viaturas das Polícias Civil e Militar, construiu vários presídios e conseguiu reduzir o número de homicídios . Também ressaltou que o governo federal não “não faz a sua parte e lava as mãos” para combater o tráfico de drogas.

“E tenho fé que o governo Temer vai acabar, e o povo vai voltar a ter emprego. Vai voltar a ter esperança e com isso vai nos ajudar a reduzir a violência não só na Bahia, mas em todo o Brasil. […] Tenho certeza que o próximo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vai nos ajudar a melhorar a vida do povo”, frisou.

Na resposta, o oposicionista José Ronaldo disse que o petista se “omite” e “busca culpados”.

Bolsonaro

Um dos menos acionados, João Henrique (PRTB), que foi prefeito de Salvador, afirmou que foi o “melhor” gestor da capital baiana para os professores da rede municipal. E que seu pai, João Durval, foi “melhor governador para o funcionalismo público”. Ele fez questão de mencionar o candidato aliado a presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas eleitorais na Bahia, em um cenário sem Lula.

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“Vou discutir com o futuro presidente Jair Bolsonaro para que a meta 20 [do movimento Todos pela Educação] seja revista. Investir apenas 10% do PIB do Brasil em educação é muito pouco”, frisou.

Previdência

Em sua fala, Rui perguntou à adversária Célia Sacramento (Rede) sobre como via a “perseguição aos pobres” do governo Temer e de aliados com a tentativa de aprovar a reforma da Previdência. Salientou que o deputado federal baiano Arthur Maia (DEM) era o relator da proposta.

“Toda população brasileira e baiana sabe que quem apresentou Temer para a sociedade foi vocês [o PT] mesmo. Então, na verdade, ele já tinha este projeto, vocês concordam com ele e nós fomos enganados. Quando eles deram o golpe, nós ficamos com esses resultados”, rebateu a competidora da Rede.

Saúde

Os rivais também atacaram a situação da saúde. O democrata chamou a área na Bahia de “caos”. “Centenas e milhares de pessoas na Bahia não conseguem vagas nos hospitais. Na fila [da regulação] da morte, ninguém consegue internar em lugar nenhum. Aliás, construir um hospital na cidade e fechar outro, como aconteceu em Ilhéus, é um absurdo.”

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Rui Costa disse que, nos três anos e meio de governo, reformou o Hospital Geral do Estado (HGE), o Couto Maia, e também construiu as unidades de saúde Hospital da Mulher e Hospital Costa do Cacau.

Corrupção

Em sua participação, o candidato João Santana foi interpelado por uma jornalista se adotaria, se eleito, a regra do governo Temer de afastar integrantes da equipe que fossem investigados criminalmente e demitir os condenados. Foi recordado que, se tiver esta norma, o deputado federal aliado Lúcio Vieira Lima (MDB), não poderia estar no eventual governo, já que o parlamentar é investigado após a Polícia Federal encontrar R$ 51 milhões em apartamento ligado a ele e ao irmão Geddel Vieira Lima (MDB).

“Eu passei por doze cargos públicos saindo de prefeitura do interior e passando por prefeitura da capital. Fui até ministro. A coisa que mais caracterizou é que sou contra qualquer tipo de vacilação na administração e sou ficha limpíssima. Nunca me contaminei. Agora, se o presidente Temer estabeleceu isso e não está cumprindo, paciência. Eu não concordo. Agora, no meu governo isso não aconteceu. Preguiçoso e mau-caráter não sobrevive”, pontuou.

Pobreza

Rui Costa voltou a atacar Temer, ao falar sobre indicadores sociais do estado. O petista afirmou que a Bahia tem um “grande drama” que é a “pobreza secular”. Segundo ele, o governo federal “insiste em reduzir” o Bolsa Família e “isso gera queda de consumo, queda da economia e aumento do desemprego”. Também acusou o chefe do Palácio do Planalto de não liberar empréstimos para estados nordestinos. “Como explicar esse ódio de Temer e de aliados, do DEM e do PSDB na Bahia, com o povo mais pobre do nosso estado?”, perguntou a João Henrique, que “lamentou e disse que não sabia da informação”.

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PT x DEM

O postulante à reeleição entrou em confronto, de novo, com o candidato do DEM já quase no final do debate. José Ronaldo, que foi prefeito de Feira de Santana (segundo maior cidade da Bahia), acusou o governador de não tomar “nenhuma atitude” para resolver o problema da central de regulamentação de leitos.

“O senhor durante quatorze anos foi prefeito. O senhor não construiu a UPA, que eu tive que construir. Os bebês estavam morrendo em Feira de Santana, eu tive que montar a maternidade de alta complexidade porque o senhor não montou. O senhor não garante a educação e eu tenho que garantir”, rebateu Rui Costa. Na réplica, o democrata negou e disse que cumpriu todas as promessas feitas como prefeito.  No último bloco, os candidatos fizeram as considerações finais.

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