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Mulher de Cachoeira se cala na CPI e é chamada de ‘cascateira’ por senadora

Convocada para falar sobre as atividades criminosas do grupo comandado por seu marido, Andressa Mendonça se recusou a responder as perguntas

A mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, recusou-se nesta terça-feira a responder as perguntas dos parlamentares na CPI batizada com o nome de seu marido. Antes de deixar a sala da comissão, entretanto, ela ouviu críticas da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que a chamou de “mentirosa e cascateira”.

Andressa foi convocada para falar sobre as atividades criminosas comandadas pelo marido e explicar as acusações de que é laranja de Cachoeira. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), tentou convencê-la a “colaborar com a comissão no efetivo deslinde de tudo aquilo que a comissão está investigando”. Mas não deu certo.

O relator, deputado Odair Cunha (PT-SP), insistiu: “É uma oportunidade da senhora Andressa também apresentar sua versão dos fatos”. A mulher de Cachoeira repetiu sua resposta padrão: “Vou exercer o meu direito constitucional de permanecer em silêncio”. Andressa rejeitou até mesmo falar em uma eventual sessão fechada, sem a presença de jornalistas.

Sentada na primeira fileira, a senadora Kátia Abreu ainda instou Andressa a provar as insinuações feitas sobre a parlamentar. Irritada, a senadora não perdeu a última oportunidade de se dirigir à depoente, quando Andressa deixava a sala da CPI: “Mentirosa e cascateira!”, disse a parlamentar. A mulher de Cachoeira não reagiu.

Kátia Abreu foi alvo de uma tentativa de chantagem de Andressa, que teria afirmado possuir informações comprometedoras sobre a senadora. Mas as ameaças não se concretizaram. Antes da entrada de Andressa, a parlamentar havia desafiado a depoente: “Gostaria que ela mostrasse as provas de que eu estive com Cachoeira e pedi dinheiro para esse contraventor, esse chefe de bando”, afirmou.

O outro depoente convocado pela CPI, o araponga Joaquim Thomé Neto, também se recusou a colaborar com a Comissão Parlamentar de Inquérito e a sessão desta terça-feira, a primeira depois do recesso de julho, foi encerrada.

Poder de fogo – Diante do fracasso das investidas do relator e do presidente da CPI, Vital do Rêgo minimizou insinuações de que a comissão voltou do recesso com menor poder de fogo. Segundo ele, a CPI concorre com a Justiça ao tentar esclarecer o esquema capitaneado por Cachoeira. “Não garantimos grandes passos nos depoimentos”, disse. O senador atribuiu às “garantias dispensadas pela própria Justiça” a causa da morosidade na coleta de informações.

De acordo com Vital do Rêgo, ainda estão na mira da CPI para serem convocados “a qualquer momento” o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, e o ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot. Na próxima quarta-feira, dia 8, está convocada para comparecer à CPI a ex-mulher de Cachoeira, Andrea Aprígio. Ela também deve permanecer calada durante a reunião.