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Mulher contribui com 40% da renda da família; maternidade entre jovens cai

É a primeira vez que o IBGE divulga esse dado. Brasileiras comandam 87% das famílias sem cônjuge e com filhos, segundo levantamento com base no Censo

A mulher contribui com 40,9% para a renda familiar. Entre os homens, essa contribuição é de 59,1%, revela estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta sexta-feira, e que compara dados dos censos de 200 e 2010. É a primeira vez que o IBGE divulga esse dado. Entre as mulheres de áreas rurais, a participação feminina no rendimento da família é ligeiramente maior – 42,4%. A contribuição das mulheres é mais importante na zona rural nordestina (51%). E é menor na zona rural do Centro-Oeste (26%). O levantamento mostra ainda que a maternidade entre adolescentes, índice que tem repercussão sobre a saúde, escolaridade e inserção no mercado de trabalho das mulheres, caiu de 14,8% para 11,8% entre os anos de 2000 e 2010 na faixa etária entre 15 e 19 anos.

Em 2000, as mulheres chefiavam 24,9% dos 44,8 milhões de domicílios brasileiros. Em 2010, essa proporção cresceu para 38,7% dos 57,3 milhões de domicílios – um aumento de 13,7 pontos porcentuais. O IBGE considera como responsável pela família a pessoa reconhecida como tal pelo demais moradores da casa. Quando analisados os dados das áreas rural e urbana, verifica-se que, no campo, ainda é mais comum o homem ser o chefe da família. Nas cidades, as mulheres são responsáveis por 39,3% das famílias, enquanto na área rural essa proporção é de 24,8%. Ao analisar o tipo de composição familiar, as mulheres aparecem como chefes de 87,4% das famílias de pessoas sem cônjuge e com filhos. Essa proporção diminui consideravelmente quando a formação é casal com filho (22,7%) ou casal sem filho (23,8%).

O estudo do IBGE mostra ainda que na maioria dos Estados do Nordeste a contribuição feminina para o rendimento familiar era maior do que a dos homens. No país, quanto maior a renda, menor a participação feminina no rendimento familiar. Entre os mais pobres (até meio salário mínimo per capita), essa participação foi de 45%. Já entre aqueles que ganhavam mais de dois salários mínimos per capita, a contribuição foi de 39,1%.

Maternidade – Em dez anos, a proporção de mulheres com ao menos um filho caiu em todas as faixas etárias. De 20 a 24 anos, baixou de 47,3% para 39,3%; de 25 a 29 anos, caiu de 69,2% para 60,1%; de 30 a 34 anos, passou de 81,9% para 76%. A proporção de adolescentes que tiveram apenas um filho é maior entre negras e pardas – 14,1% das que têm de 15 a 19 anos são mães, contra 8,8% das brancas. Isso também ocorre se comparadas as regiões urbana e rural – 11,1% contra 15,5%. Na faixa etária de 25 a 29 anos, a diferença entra cidade e campo é ainda mais brutal – 57,9% das mulheres moradoras de área urbana tinham ao menos um filho, ante 75,9% nas áreas rurais.

O estudo aponta ainda que há proporção maior de mulheres de 15 a 17 anos que não trabalham nem estudam (12,6%), se comparada à dos homens (9,1%). Essa situação está “fortemente relacionada à maternidade”, apontam os pesquisadores – 56,8% das jovens nessa faixa etária que tiveram filhos estão nessa condição; entre as que não foram mães, o índice era de 9,3%.

“No mercado de trabalho e renda você encontra uma situação mais desfavorável para as mulheres em relação aos homens. Mas você não vê isso na educação. Elas estão se escolarizando mais, têm maioria entre os universitários, têm menor atraso escolar em relação aos homens. Mas, por motivos que a gente acredita que vão além de políticas educacionais e políticas inclusivas no mercado de trabalho, não se vê a maior escolarização das mulheres sendo refletida no mercado de trabalho”, afirma Bárbara Cobo, coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE.

Ela aponta a maternidade como uma das causas. “A mulher ainda enfrenta a dupla jornada de trabalha. Os cuidados com pessoas da família, com afazeres domésticos estão substancialmente a cargo das mulheres. Ela tem que conciliar cuidados e afazeres com o trabalho. Elas são maioria nas universidades, mas com uma concentração delas em áreas que auferem menores rendimento no mercado de trabalho, como educação”, ressalta.

No Brasil, há 96 homens para cada 100 mulheres. O número de homens ultrapassa o de mulheres nos Estados da Região Norte e no Mato Grosso. O Rio de Janeiro tem a menor proporção de homens para mulheres – 91 para 100. Na região Norte, a migração intensifica a concentração de homens, uma vez que entraram mais homens que mulheres (113,9 homens para cada 100,0 mulheres) e saíram mais mulheres que homens (95,9 homens por 100,0 mulheres). O Nordeste foi a única região que apresentou saldo migratório negativo, e proporcionalmente saíram mais homens que mulheres desta região.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)