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MTST volta a emparedar prefeitura. E leva terreno no Campo Limpo

Baderna promovida nesta quarta não serviu ao propósito principal do grupo, desapropriar área no Morumbi, mas garantiu compromisso de desapropriação de outro terreno na Zona Sul

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) voltou nesta quarta-feira a emparedar a prefeitura de São Paulo. E novamente a gestão Fernando Haddad se dobrou diante das exigências do grupo. A baderna diária promovida pela entidade bloqueou algumas das principais vias da região central de São Paulo. O ato terminou em frente à Secretaria Municipal de Habitação, onde treze representantes do movimento foram recebidos pelas autoridades. Ao fim da reunião, a prefeitura informou que vai desapropriar um terreno no Campo Limpo, Zona Sul da capital paulista, para abrigar moradias populares.

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O 31º protesto do MTST em São Paulo no ano, realizado nesta quarta, tinha como objetivo pressionar a prefeitura pela desapropriação do terreno particular onde está a mais recente ocupação dos sem-teto, o Portal do Povo, no Morumbi (Zona Sul). A reintegração de posse foi solicitada à Justiça pela Construtora Even, dona do terreno onde está a ocupação. Como ocorreu há dois meses com a ocupação fantasma Copa do Povo, em Itaquera, na Zona Leste, o MTST quer que o governo desaproprie a área e viabilize no local moradias populares para os invasores, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida. A prefeitura informou que o terreno da ocupação Portal Do Povo não será desapropriado. Mas o MTST apresentou outras seis áreas próximas do Morumbi que serão avaliadas. Os sem-teto comemoraram a decisão e prometem fazer novos protestos para pressionar pelo atendimento das famílias que estão na ocupação do Morumbi.

A mobilização do MTST lembrou os protestos realizados pela entidade em junho, quando um acampamento chegou a ser feito na frente do prédio da Câmara Municipal por uma semana. Com cornetas, buzinaço e carro de som, os manifestantes se postaram na frente do prédio da Secretaria Municipal de Habitação. Uma comissão com treze representantes da organização se reuniu com técnicos da Cohab por volta das 17 horas. Os atos que travam a cidade são usados pelo MTST exatamente para pressionar a prefeitura paulistana que, segundo o Ministério Público, tem privilegiado os sem-teto no cadastro de beneficiários de programas habitacionais. Secretaria Municipal de Habitação mantém a lista de cadastrados secreta, o que é vedado pelo Ministério das Cidades. O Ministério Público enviou representação ao ministério recomendando a suspensão dos repasses do programa Minha Casa, Minha Vida, conforme mostrou o site de VEJA.

(Com Estadão Conteúdo)