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MP reuniu provas e jamais perseguiu mensaleiros, diz procurador-geral

Gurgel rebate insinuações de que o tribunal julga com motivação política

Por Laryssa Borges 10 out 2012, 18h05

Responsável por pedir a condenação de 36 dos 38 réus do mensalão, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tem evitado dar especial atenção às lamúrias dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão. Diante das críticas de petistas históricos como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino, Roberto Gurgel tem rejeitado peremptoriamente as acusações de que tenha costurado pedidos de condenação sem provas ou apenas com base em “perseguições pessoais”.

Com o placar contra José Dirceu praticamente definido pela mais alta corte do país – a expectativa é que o ex-todo-poderoso do governo Lula amargue nove votos pela condenação por corrupção ativa – Gurgel ainda rebate insinuações de que o tribunal esteja agindo com motivação política ou promovido uma espécie de julgamento de exceção.

“Perseguição do Ministério Público jamais houve e, como se afirma desde o início, é uma acusação solidamente baseada em provas. Não se fez qualquer afirmação ou qualquer acusação leviana, mas uma acusação que é amparada fartamente pelos elementos de prova dos autos, como vem reconhecendo o STF”, afirmou o chefe do Ministério Público.

Assim como já havia feito durante o julgamento do mensalão, Roberto Gurgel disse que as condenações dos réus pela suprema corte indicam o fim de uma sensação de impunidade e a certeza de que o veredicto do STF servirá de exemplo para práticas políticas. “Esse julgamento constituirá um marco histórico para o país no sentido de uma condenação definitiva de certas práticas da nossa política”, declarou.

Para Gurgel, é “absolutamente despropositada” a afirmação do ex-ministro José Dirceu de que foi alvo de um tribunal de exceção ou que tenha sido “prejulgado e linchado”.

“O STF tem desde o início da tramitação do inquérito tem se esmerado em assegurar aos acusados o devido processo legal, a observância dos direitos e garantias previstos na Constituição. É um julgamento que, longe de constituir um julgamento de exceção, constitui um exemplo magnífico de julgamento feito por um tribunal de um país em que o estado democrático de direito vigora”, declarou o procurador-geral.

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