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MP pede investigação sobre reuniões políticas de Valdemar

Promotoria encaminhou o pedido após as revelações de que Valdemar Costa Neto aproveita o expediente fora do presídio para se encontrar com membros do seu partido

A Promotoria de Justiça de Execuções Penais do Distrito Federal encaminhou pedido para que o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) apure as faltas disciplinares do mensaleiro Valdemar Costa Neto (PR-SP), que teria usado o horário de almoço para realizar reuniões políticas com correligionários, segundo revelou o jornal Folha de S.Paulo. Preso em regime semiaberto, o ex-deputado ganhou o benefício de trabalhar em um restaurante industrial.

O CPP é a unidade do sistema prisional do DF que abriga detentos que cumprem pena no regime semiaberto e que já têm direito a benefícios como o trabalho externo. As irregularidades envolvendo esta unidade não são novidade: VEJA mostrou que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-ministro José Dirceu também tinham privilégios. Os benefícios aos mensaleiros levaram dois dirigentes do CPP, o diretor Afonso Emílio Alvares Dourado e o vice-diretor Emerson Antonio Bernardes, a pedir demissão por discordar do tratamento diferenciado conferido aos presos ilustres.

Ex-presidente do PR, Costa Neto recebe membros da sigla para discutir as movimentações do partido. “A Promotoria de Justiça de Execuções Penais requisitou à direção dos presídios a instauração de procedimento disciplinar para apurar eventual falta disciplinar em relação às condições do trabalho externo. Nesse sentido, ressalta que vai acompanhar a tramitação dos referidos procedimentos em conformidade com a lei”, diz nota do Ministério Público do Distrito Federal.

Apesar das irregularidades, um dos principais aliados de Costa Neto, o atual líder do PR, Bernardo Santana (PR-MG), afirmou que vai manter os encontros com o mensaleiro. Disse também que as discussões com o ex-parlamentar tratam essencialmente do modo como será feito o pagamento da multa de 1,668 milhão de reais imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, Santana informou que “ainda pretende encontrá-lo para almoçar, no horário e local permitido aos que cumprem pena em regime semiaberto, com o declarado objetivo de garantir a formalização da doação que fará como pessoa física, nos termos da lei”.