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MP investiga multiplicação de comissionados na gestão Castro

Inquérito apura irregularidades como no caso de um cargo de supervisor transformado em 80 vagas

Por Ludmilla de Lima Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 18h42
MP investiga multiplicação de comissionados na gestão Castro Priorize VEJA no Google

O Ministério Público do Rio (MPRJ) apura irregularidades na gestão de Cláudio Castro (PL) que teriam levado a um inchaço da máquina com comisisonados. A investigação, instaurada na segunda-feira, 28, envolve suspeitas relacionadas à criação, por desmembramento, de cargos em comissão com vencimentos básicos inferiores ao salário-mínimo, além do aumento de despesa decorrente, entre janeiro de 2023 e março de 2026. A Portaria de Instauração de Inquérito (PIC) afirma que, no período, o número de cargos aumentou 46%, passando de 10.417 para 15.212. Já a folha mensal de pagamentos com esse pessoal cresceu 87%, indo de R$ 53,7 milhões para R$ 100,36 milhões.

O inquérito está na 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania da Capital. Pelo PIC, a Secretaria estadual da Casa Civil, ligada diretamente ao governador, concentrou o maior aumento – o número de cargos foi de 1.056 para 1.934. Na  Secretaria de Governo, o total passou de 381 para 723, enquanto na Secretaria de Saúde esse número foi de 480 para 793. O Detran também é citado, com um aumento de 374 para 631 cargos.

Outras estruturas do governo também tiveram crescimento de comisisonados, como as secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos; Esporte e Lazer; e Educação; a Funarj; a Jucerja; o DER e o Instituto Rio Metrópole.

Um cargo foi transformado em 80

O MP afirma que investigações preliminares mostraram que foram editados múltiplos decretos para a transformação de um único cargo. Isso aconteceu com o de Supervisor, símbolo CC-11, que resultou na criação de 80 cargos comissionados, supostamente “sem aumento de despesa”. Do total, 67 eram cargos de símbolo DAI-6, com vencimento básico de R$ 50, e 13 de símbolo DAI-1, com vencimento básico de R$ 25, valores abaixo do salário-mínimo.

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O que o MP mostra é que, de fato, a manobra transformou um cargo com remuneração de R$ 3.689,97 em novas vagas que alcançaram R$ 647,7 mil por mês em despesas.

A promotoria requer a notificação de Cláudio Castro e do ex-secretário da Casa Civil Nicola Miccione para que apresentem manifestação por escrito. Também foi enviado pedido à Casa Civil de cópia dos decretos que criaram os cargos e de informações sobre o impacto financeiro. O MP quer saber ainda se foram realizadas estimativas de impacto e estudos indicando a origem dos recursos para custear o aumento das despesas, conforme prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal. A portaria foi encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) para análise e apuração.

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