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Movimento que lançou Tabata se cala sobre contratação de namorado dela

Daniel Alejandro Martínez integrou campanha da pedetista para fazer 'análises estratégicas'; líder do RenovaBR, Eduardo Mufarrej não quis comentar imbróglio

Em sua página inicial, o RenovaBR diz que tem a missão de preparar lideranças “que têm em comum a crença de que a política é lugar de honestidade, diálogo e dedicação”. Procurado por VEJA, o líder do movimento, Eduardo Mufarrej, não quis comentar o imbróglio envolvendo a pupila mais famosa da entidade, Tabata Amaral (PDT-SP).

Ela está no centro de uma polêmica que envolve uma questão de ética. No sábado 20, o site de VEJA revelou que a pedetista pagou, durante sua campanha, 23 mil reais ao namorado, o colombiano Daniel Alejandro Martínez, para prestar “serviço de análises estratégicas para a campanha eleitoral”.

Procurados por VEJA, Tabata e Daniel não quiseram comentar o caso, tampouco se dispuseram a apresentar a documentação comprovando a realização do trabalho. O caso não é necessariamente ilegal (isso se o serviço foi realmente executado, algo que ainda não se demonstrou). Mas, no mínimo, é uma conduta questionável de quem se elegeu prometendo criar novos padrões morais na política.

Em comunicado enviado à redação de VEJA, o RenovaBR afirmou que “defende total transparência nas contas de campanha” e que “não interfere na gestão do uso dos recursos de campanha de seus líderes”. O movimento diz, ainda, que a parlamentar, um dos símbolos da renovação política, “declarou as doações e despesas, e suas contas foram aprovadas pela justiça eleitoral”. Tabata também se manteve em silêncio com relação ao assunto. Nos dias seguintes à publicação da reportagem, publicou 11 tuítes em sua página – dois sobre a situação da Amazônia, dois sobre agrotóxicos e sete sobre ensino, sua área de atuação.

Reportagem de VEJA do sábado 20 mostrou que Tabata contratou Martínez, que conheceu na prestigiada Universidade Harvard, nos Estados Unidos, durante a campanha eleitoral. O registro de pagamento está, de fato, no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi lá, inclusive, que VEJA detectou o pagamento ao colombiano.

O documento determina, inclusive, o local e horário de trabalho: Avenida Agami, 40, das 9h às 18h, em São Paulo. No local funciona um coworking, um escritório compartilhado por diversas empresas e empreendedores, que nunca serviu de comitê para Tabata. O comitê fica no bairro da Saúde, distante 15 quilômetros do local de trabalho de Martínez.

Procurada por VEJA, a pedetista afirmou, em nota enviada por sua equipe de comunicação, que sua campanha “cumpriu as leis eleitorais na contratação de seus serviços e pessoas” e que “todas as informações são públicas e estão no portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”.