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Mourão volta atrás e diz que Bolsonaro não sabia de vídeo sobre golpe

Vice também repercutiu afirmação do presidente em Israel e declarou que 'nazismo e comunismo são duas faces do totalitarismo'

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, voltou atrás e, nesta terça-feira 2, dise que o presidente Jair Bolsonaro não tinha conhecimento do vídeo distribuído pelo Palácio do Planalto em defesa do golpe de 1964. “Em tese, ele deveria saber. Já sei que ele não sabia”, afirmou Mourão nesta terça.

Na segunda-feira, 1, ao comentar o assunto, Mourão afirmou que o envio do material tinha ocorrido por “decisão do presidente”. “Foi divulgado pelo Planalto, é decisão dele (do presidente)”, presumiu o vice.

Após distribuição do vídeo em canal oficial do Planalto, a assessoria de imprensa da Presidência não soube informar o autor do material ou o responsável pela distribuição.

Nesta terça, o empresário Osmar Stábile assumiu ter produzido o vídeo. Ele negou que tenha qualquer relação com a Presidência. “Eu nem conheço o Bolsonaro. Apoiei (Bolsonaro) durante a eleição, evidentemente, mas era uma pessoa mandando vídeos para amigos”, disse. Ele afirma que a maior parte dos vídeos são feitos por ele mesmo ou com a ajuda de amigos. “O custo é insignificante. Não foi nada planejado (ser divulgado pelo governo), fiquei até surpreso”, completou.

No material distribuído, data em que o golpe de 64 fez 55 anos, o apresentador diz que o Exército “salvou” o País. “O Exército nos salvou. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história”, diz ele.

‘Nazismo e comunismo são faces da mesma moeda’

Também nesta terça, Mourão repercutiu declaração de Jair Bolsonaro em Israel, na qual afirmou que o nazismo se tratava de um movimento de esquerda.

O vice evitou discordar totalmente da afirmação, mas sinalizou divergência em relação ao conceito de Bolsonaro sobre o movimento. “De esquerda é o comunismo. Não resta a menor dúvida”, disse ao ser questionado por jornalistas. Diante de novos questionamentos sobre o assunto, Mourão afirmou que nazismo e comunismo estão em lados opostos. “Nazismo e comunismo são duas faces de uma moeda só, o totalitarismo”, afirmou.

Nesta terça-feira, 2, depois de visitar o Yad Vashem, o Centro de Memória do Holocausto, em Jerusalém, Jair Bolsonaro afirmou concordar com o chanceler Ernesto Araújo em relação à avaliação de que o nazismo foi um movimento de esquerda. “Não há dúvida”, resumiu o presidente.

Na noite desta terça-feira, 2, durante coletiva de imprensa, Mourão inicialmente rebateu as perguntas de jornalistas sobre o conceito do nazismo com outra pergunta: “Vocês têm dúvida disso?”. Confrontado com as divergências que surgiram sobre a questão devido a posicionamentos de integrantes do governo, Mourão definiu o nazismo como “um movimento autoritário, o nacional socialismo”, e fez um breve resumo sobre o seu surgimento na Alemanha.

Em seguida, foi questionado mais uma vez se “considera que (o nazismo) é de direita ou de esquerda”. “De esquerda é o comunismo, né? Não resta a mínima dúvida. Quer dizer, acho que se a gente for olhar… Sou crítico contumaz dessa questão de direita e esquerda, acho que são ambas visões totalitárias de controle total da população, de desrespeito aos direitos humanos, que não se coadunam com o espírito que a gente busca para a humanidade”, declarou.

Novamente questionado, ponderou que critica extremos da direita e esquerda, mas que nazismo e comunismo estão em lados opostos de uma mesma moeda. “Eu critico esquerda e direita. Acho que esquerda é quando tem visão onde o estado intervém mais na vida das pessoas, diferente de ser autoritário, isso é ser esquerda. E direita é você dar mais liberdade aos empreendedores, ter mais liberdade para poder estabelecer seus negócios, propriedade privada. Isso é o que eu acho de direita e esquerda. Nazismo e comunismo são duas faces de uma moeda só, o totalitarismo.”

(Com Estadão Conteúdo)