Motta evita prometer blindagem de proposta de Lula que pode virar bomba fiscal
Em conversa com Lula, presidente da Câmara só se comprometeu a contemplar texto encaminhado pelo Executivo ao Congresso
Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta, não se comprometeu em blindar o projeto que trata da elevação do faturamento do MEI para evitar que ele se transforme em uma bomba fiscal.
O único acordo é que o texto encaminhado pelo Executivo será contemplado na medida que já tramita em comissão especial.
Na segunda-feira, o petista entregou ao paraibano a proposição que trata da elevação do faturamento do MEI, o que representa um aceno aos microempreendedores a pouco mais de três meses das eleições.
Diante dessa indisposição do paraibano em blindar a medida, o governo Lula já tem um time montadinho para evitar mais um desastre fiscal: ao lado de José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Paulo Pereira (Empreendedorismo) devem articular para convencer parlamentares de que não há espaço fiscal para aumentar o Simples neste momento.
Deve haver uma sinalização de que há disposição em tratar do tema em uma proposição enviada posteriormente.
Ao Radar, Pereira disse não ver o presidente da Câmara disposto a impor um dissabor fiscal ao Executivo. “Tem uma pressão grande pelo aumento do Simples, mas não há espaço orçamentário para isso. Eles sabem das limitações fiscais. Não tem clima belicoso e há espaço para conversar”.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto tem a leitura de que, se o Congresso emperrar a proposta que beneficia os microempreendedores individuais, jogará milhões de eleitores no colo de Lula.
A eventual resistência abriria um novo capítulo para o governo explorar a narrativa “O Congresso Inimigo do Povo”, já usada em outras oportunidades em que Executivo e Legislativo não falavam a mesma língua.







