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Morre Adrielly, a menina vítima de bala perdida no Rio

Criança de 10 anos precisou esperar oito horas para ser submetida a cirurgia, porque o médico que estava escalado para o plantão de Natal não compareceu

Por Da Redação - 4 jan 2013, 17h19

Morreu nesta sexta-feira a menina Adrielly Vieira, de 10 anos, vítima de bala perdida na noite de Natal em Piedade, Subúrbio do Rio de Janeiro. Socorrida ao Hospital Salgado Filho, ela precisou esperar oito horas para ser submetida a uma cirurgia porque o neurocirurgião escalado para aquela noite havia faltado ao plantão. O disparo atingiu a cabeça da criança. Três dias depois de ser internada, Adrielly foi transferida ao Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde sua morte cerebral foi anunciada no domingo passado.

A Polícia Civil investiga se houve omissão de socorro por parte de Adão Crespo, o médico que não compareceu ao hospital. Em depoimento ao delegado Luiz Archimedes, responsável pelo caso, o neurocirurgião admitiu que faltava aos plantões há mais de um mês por discordar das condições de trabalho. Ele ainda afirmou que sua decisão havia sido comunicada ao chefe do setor, José Renato Paixão.

Nesta sexta, foi a vez de Paixão ser ouvido na 23ª DP, no Méier. Ele afirmou que a responsabilidade pela demora no atendimento da criança é exclusivamente de Crespo, apesar de confirmar que foi avisado da ausência do médico. “O chefe do setor, doutor José Renato, confirmou que o doutor Adão telefonou no dia 21 e afirmou categoricamente que não iria ao plantão. Ele disse, ainda, que alertou que ele não poderia fazer isso e pediu para ele não faltar, mas que o doutor Adão faltou, assumindo os riscos”, informou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, também foram ouvidas – na qualidade de testemunhas – as médicas Maria Estela Dias, Eneida Reis, e Lúcia Portela, pediatra que prestou os primeiros-socorros à menina. Ao final do depoimento, Lúcia não quis falar com a imprensa. Seu advogado, Marivaldo Sena, porém, preocupou-se em isentar sua cliente de qualquer culpa pela demora no atendimento a Adrielly. “Ela prestou o primeiro atendimento e, quando soube que não havia neurocirurgião no hospital, pediu transferência da menina para outra unidade”, afirmou o defensor, complementando que desconhece o motivo dea menina não ter sido transferida.

Na próxima segunda-feira, ainda devem prestar depoimento o neurocirurgião Mario La Peña, que realizou a operação em Adrielly, e o chefe dos plantonistas, Enio Eduardo Lima Lopes. Este último também pode ser acusado de omissão de socorro, se for comprovado que ele teve tempo hábil para substituir o médico que havia faltado. “Não está descartada nenhuma possibilidade. As pessoas que prestaram esclarecimentos hoje falaram mais de procedimentos médicos, nada relevante no que diz respeito à investigação policial. Mas só o rumo das investigações dirá se alguma testemunha poderá ser indiciada”, ponderou o delegado.

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(Com reportagem de Leo Pinheiro)

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