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Moro se reúne com Bolsonaro no Rio para discutir ministério

Expectativa é de que presidente eleito proponha 'superministério', englobando áreas de segurança e transparência; no avião, juiz diz buscar 'convergência'

Por Da Redação - Atualizado em 1 nov 2018, 11h01 - Publicado em 1 nov 2018, 08h06

O juiz federal Sergio Moro se reuniu na manhã desta quinta-feira com o presidente eleito da República, Jair Bolsonaro (PSL), no Rio de Janeiro. No encontro, Bolsonaro oficializou o convite para Moro assumir o Ministério da Justiça em seu governo. A reunião terminou por volta das 10h40 e o juiz, ao lado do futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes, tentou falar com a imprensa. Com o tumulto que se formou, porém, ele desistiu e voltou para o carro.

No avião que o transportou ao Rio, que decolou de Curitiba por volta das 6h30 da manhã, o juiz responsável pela Operação Lava Jato falou ao canal Globonews. Segundo ele, ainda é “prematuro” falar sobre a sua resposta ao convite, mas que, se ele e Bolsonaro tiverem “convergência” em relação a agendas contra a corrupção e a criminalidade, assumir a função passa a ser uma “possibilidade”.

Em um movimento de redução do número de ministérios, com a fusão e incorporação de pastas atuais, o presidente eleito deve propor a Moro um poder inédito para um ministro da Justiça no Brasil. O “superministério” deve incluir as funções atualmente exercidas pelas pastas da Segurança Pública e da Controladoria-Geral da União (CGU), além do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Assim, se aceitar, Moro vai comandar uma megaestrutura que o fará ser o responsável no governo do comando da Polícia Federal (PF) às funções de promoção da transparência e de gestão do sistema penitenciário federal.

Nos últimos dias, Moro ouviu ponderações sobre os prós e contras de assumir um cargo executivo no recém-eleito governo Bolsonaro. Além de ter de deixar a magistratura, o juiz teria de lidar com o discurso de petistas de que suas sentenças no petrolão – que até o momento foram responsáveis por 215 condenações contra 140 pessoas – tiveram viés político.

A narrativa do PT tende a ser potencializada com a proximidade da conclusão do processo em que o ex-presidente Lula é acusado de ter recebido um terreno e um apartamento como propina da empreiteira Odebrecht. Dentro de duas semanas, o ex-presidente também deve ficar cara a cara com o juiz durante depoimento em que Lula é acusado de ter sido beneficiado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht com reformas em um sítio em Atibaia.

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