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Moro revê decisão e nora de Bumlai não é mais ré na Lava Jato

Cristiane Barbosa Dodero Bumlai havia sido denunciada por ter assinado contrato de empréstimo do Banco Schahin como avalista do sogro

O juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato na primeira instância, reviu ontem a decisão em que aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra a nora do pecuarista José Carlos Bumlai. Cristiane Barbosa Dodero Bumlai havia passado de denunciada a ré em dezembro de 2015, assim como o marido, Maurício Bumlai, porque assinou como avalista contratos de empréstimo do banco Schahin ao sogro.

Na revisão de sua decisão, Moro aceitou a argumentação de que Cristiane assinou o contrato por ser mulher de Maurício Bumlai e admitiu ter cometido “um equívoco de valoração da prova” em relação à nora do amigo de Lula. Segundo o juiz federal, não há prova de que Cristiane “se dedicava à gestão das empresas do Grupo Bumlai, inclusive a AgroCaieras, empresa utilizada para quitar fraudulentamente o empréstimo pessoal do Banco Schahin a José Carlos Bumlai”. O processo pode ser reaberto, no entanto, em caso de novas provas contra Cristiane.

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Em relação ao filho de José Carlos Bumlai, Moro manteve a aceitação da denúncia, “pois era proprietário e administrador da empresa AgroCaieras” e, assim, “teria conhecimento aparente da fraude consistente na quitação simulada do empréstimo a José Carlos Bumlai”.

Preso em Curitiba desde novembro de 2015 por envolvimento no escândalo da Petrobras, Bumlai confessou à Polícia Federal que tomou emprestados 12 milhões de reais do banco em 2004, dos quais 6 milhões de reais foram repassados por ele ao caixa dois do PT de Santo André. Outra parte do dinheiro, segundo relatou o amigo de Lula, foi enviada a Campinas (SP) para quitar dívidas de campanha.

O pecuarista confessou também que sua dívida com o banco nunca foi quitada e o pagamento que anteriormente declarou ter feito, por meio da venda de embriões bovinos, foi uma simulação. A dívida de Bumlai com o Schahin, segundo o Ministério Público Federal, foi perdoada quando a empresa passou a operar o navio sonda Vitória 10 000, da Petrobras, num contrato de 1,6 bilhão de reais.