Clique e assine a partir de 9,90/mês

Moro rebate Cunha: ‘Não posso silenciar testemunhas’

Juiz federal divulgou nota depois de ser duramente criticado pelo presidente da Câmara, que classificou depoimento de delator como ilegal

Por Laryssa Borges - 17 jul 2015, 16h47

Um dos alvos da pesada artilharia do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato em primeira instância, rebateu nesta sexta-feira as declarações do peemedebista, que atacou o depoimento em que o delator do petrolão Julio Camargo o lança no centro do escândalo. Moro afirmou, em nota, que não é papel dele “silenciar testemunhas ou acusados na condução do processo”.

Em depoimento na quinta-feira, o lobista Camargo, da Toyo Setal, afirmou à Justiça que Cunha pediu 5 milhões de dólares do propinoduto da Petrobras em troca de contratos na estatal. De acordo com o delator, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no escândalo do petrolão, foi o primeiro a repassar, em nome de Cunha, a reclamação de um “débito” de 5 milhões de dólares. A dívida total de propina naquele contrato de navios-sonda girava entre 8 e 10 milhões de dólares.

Em junho, Moro já havia autorizado que o executivo Julio Camargo prestasse novos depoimentos nos processos do petrolão, atendendo a um pedido da defesa do lobista Fernando. O despacho daquela data esvazia o argumento de Eduardo Cunha de que os investigadores teriam forjado o depoimento desta quinta para constrangê-lo. Ainda assim, o parlamentar alega que a delação premiada de Camargo deveria ser anulada porque o depoente teria mentido e porque a menção a autoridades com foro privilegiado levaria o caso necessariamente para o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Moro acha que o Supremo Tribunal Federal e o Supremo Tribunal de Justiça se mudaram para Curitiba e que ele é o dono de todos. É um erro que ele comete, e que pode acabar tornando nulas muitas das ações que fez. Ele está invadindo uma competência que não é dele”, afirmou o parlamentar nesta sexta, na entrevista em que anunciou seu rompimento oficial com o governo.

Publicidade