Moraes frustra desembargador acusado de obstruir investigação da PF sobre o CV
Ministro do STF mantém prisão de Macário Júdice Neto, denunciado por vazar informações sigilosas a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia do Rio
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido de liberdade do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2. ª Região (TRF2), no Rio de Janeiro, e manteve sua prisão preventiva. O magistrado é investigado na Operação Unha e Carne por suspeita de vazar informações de um inquérito sigiloso da Polícia Federal sobre conexões do crime organizado com políticos fluminenses.
A defesa do desembargador pediu a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, argumentando que a investigação já foi encerrada e que ele está afastado das funções no TRF2. Ao rejeitar o pedido, o ministro justificou que os fundamentos que o levaram a decretar a prisão permanecem válidos. “Permanecem presentes os riscos de fuga e de reiteração delitiva, sem qualquer modificação relevante do quadro fático que embasou a decretação da prisão preventiva. Assim, a prisão preventiva do réu continua adequada, necessária e proporcional às circunstâncias do caso concreto”, diz a decisão.
Moraes ainda destacou que o desembargador foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e violação de sigilo funcional e afirmou ver “robustos indícios” dos crimes. “O relatório final da investigação aponta a adoção de medidas destinadas a interferir nas apurações e a ocultar sua vinculação ao vazamento de operações policiais”, destacou o ministro em outro trecho da decisão.
Além do desembargador, também foram denunciados os ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar (União), que foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias; Jéssica de Oliveira Santos, mulher de TH Joias; e Thárcio Nascimento Salgado, que foi assessor do ex-deputado.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que as provas reunidas no inquérito “não deixam dúvidas” de que houve uma atuação coordenada para atrapalhar as investigações da PF e favorecer o Comando Vermelho. A investigação que o grupo teria agido para abafar é a Operação Zargun, conduzida pelo desembargador, que teria vazado informações confidenciais e privilegiadas a Bacellar. O principal alvo era TH Joias, que, segundo a denúncia, foi alertado previamente pelo então presidente da Assembleia do Rio e destruiu provas. Ele trocou de celular e esvaziou o gabinete na Alerj e a casa onde mora na véspera das buscas da Polícia Federal, em setembro. Gonet afirma na denúncia que o sucesso da investigação foi “significativamente comprometido” pelas manobras.







