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Molina: fuga era a única opção para “escapar da morte”

Senador boliviano prestou depoimento nesta quarta-feira à Justiça Federal

Por Marcela Mattos 11 set 2013, 20h46

A pedido do diplomata Eduardo Saboia, o senador oposicionista boliviano Roger Pinto Molina prestou depoimento nesta quarta-feira à Justiça Federal, em Brasília. O boliviano detalhou as condições dentro da Embaixada do Brasil em La Paz e como foi o processo de saída do país, no fim de agosto: “sobreviveria apenas se fugisse”, afirmou. O depoimento durou cerca de uma hora e meia.

O parlamentar lembrou que buscou refúgio na embaixada após receber diversas ameaças de morte por denunciar as relações do governo boliviano com o narcotráfico. “Na Bolívia, ser opositor é um delito. Criticar o governo é crime. E denunciar o governo é pouco menos do que um suicídio”, falou durante a audiência. Molina estava acompanhado de seu advogado, Fernando Tibúrcio. Também estavam presentes na audiência o diplomata Eduardo Saboia, uma representante do Ministério Público e advogados da União.

O senador buscou asilo na embaixada brasileira em 28 de maio do ano passado, onde passou 455 dias morando em um pequeno quarto, sem poder sair para visitar seus familiares, e praticamente incomunicável. “Onde eu ficava não tinha sol nem ar fresco”, lembra. Molina relatou ainda que a situação provocou sua deterioração física e mental.

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Diante das condições precárias do asilado, contou Molina, o diplomata Eduardo Saboia enumerou três possibilidades ao senador: morrer, “como queria o governo boliviano”; ir a um hospital, onde fatalmente acabaria preso pelas autoridades que o monitoravam; ou fugir do país.

“Saboia disse ainda que tinha a responsabilidade de proteger a minha vida e que a presidente Dilma havia dito que, acima de tudo, estava a minha segurança”, afirmou o parlamentar. “Não entendia bem o que significa aquilo naquele momento, tinha perdido a minha percepção. Ao Saboia eu devo a minha vida. Ao Brasil, a minha liberdade”, completou.

Molina afirmou que a embaixada brasileira na capital da Bolívia foi ameaçada de invasão pelo governo do país, e que houve situações em que a entrada do local virou palco de gritos e xingamentos por parte de seus adversários. “Em uma dessas tardes, eram doze pessoas dentro da embaixada contra todo um povo que forçava a porta para entrar”, narrou. “Eu lamento que minha presença tenha causado dificuldades para quem estava ali.”

Questionado por jornalistas, Saboia afirma não ter conhecimento da tentativa de invasão relatada por Molina. A defesa do diplomata acrescentou que os 455 dias em que Molina esteve asilado estão relatados em despachos telegráficos e que cabe ao Itamaraty o repasse dos documentos.

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