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Modelo acusa senador de estupro em São Paulo

Jovem de 22 anos disse à polícia que foi com Irajá Filho (PSD-TO) a um bar, perdeu a consciência e acordou sendo violentada em um flat; parlamentar nega

Por Redação Atualizado em 23 nov 2020, 20h14 - Publicado em 23 nov 2020, 18h50

Uma modelo de 22 anos acusa o senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO), de 37 anos, de tê-la estuprado em um flat na Zona Oeste de São Paulo entre a noite do domingo, 22, e a madrugada desta segunda-feira, 23. O parlamentar, que é filho da senadora Kátia Abreu (PP-TO), nega as acusações.

A jovem paranaense disse à polícia que conheceu Irajá em um almoço em um restaurante no Jóquei Clube da capital paulista e, no início da noite, foi com ele ao bar Cafe de La Musique, no Jardim Europa. Segundo a modelo, ambos beberam, ela perdeu a consciência mais à frente e acordou na suíte de um flat no Itaim Bibi. A jovem afirmou à polícia que, quando recobrou a consciência, o senador estava sobre ela e a penetrava, dizendo “você é minha”, “agora você é minha, estou apaixonado”.

A modelo relatou que, temendo por sua segurança, não resistiu nem tentou tirá-lo de cima dela, mas pedia “insistentemente” para ir ao banheiro e tomar água. Quando conseguir ir ao banheiro, ela disse que se trancou e enviou mensagens pedindo ajuda a amigos. Quando uma amiga dela chegou, segundo a jovem, ela saiu do banheiro, atacou o senador com chutes e socos e deixou o quarto para chamar a Polícia Militar. Os policiais foram ao quarto, mas não encontraram Irajá.

Durante o depoimento à Polícia Civil, a jovem reconheceu o senador em uma foto apresentada a ela. O quarto foi interditado para perícia, e a modelo foi encaminhada para exames de conjunção carnal e toxicológico. Segundo o boletim de ocorrência, a polícia esteve no flat, “onde em vistoria no apartamento não encontrou anormalidades evidenciadoras de ter ocorrido agressões, brigas”.

Câmeras de circuito interno do hall de entrada do flat e dos elevadores do prédio serão analisadas nas investigações.

Senador nega acusação

Em nota, o senador afirma que recebeu a acusação com “surpresa, decepção, tristeza e indignação” e a classifica como “episódio infame, maldoso e traiçoeiro”.

“Eu sempre pautei minha vida profissional, pública e pessoal pela ética, respeito e retidão, sendo inimaginável ser acusado de algo dessa natureza. O fato é que, como principal interessado na revelação ampla e total de toda essa farsa, solicitei que meu advogado, Daniel Bialski, reforçasse às autoridades responsáveis pela investigação do caso que requisitassem a realização de exame de corpo delito na acusadora para comprovar a verdade”, diz o texto.

Irajá afirma ter comparecido espontaneamente à delegacia e pedido para ser submetido a exame de corpo de delito e toxicológico. “As filmagens, demais provas e testemunhas hão de repor a verdade no seu devido lugar e vir a declarar minha total e plena inocência. Confio na polícia e na Justiça e sei que ficará provado que jamais houve nada que possa tangenciar qualquer comportamento inapropriado de minha parte”, diz.

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“Lamento muito ter sido envolvido nesse enredo calunioso e difamatório que busca manchar o meu nome em função da visibilidade momentânea da função que ocupo. Reitero que aguardarei a conclusão das investigações antes de fazer qualquer nova manifestação. Não pretendo ser atirado para essa arena sórdida. A verdade aparecerá e eu a aguardarei com serenidade. Declaro e reitero que não cometi ilícito algum e estou à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários”, completa Irajá.

O advogado Daniel Bialski também divulgou uma nota na qual afirma que o senador “jamais praticou tal ato” e que defesa já pediu imagens da casa noturna, do trajeto percorrido e do flat. Veja a íntegra da nota assinada pelo defensor:

O senador Irajá Silvestre Filho, de Tocantins, jamais praticou tal ato e repudia a acusação. Ele compareceu nesta segunda-feira, de forma espontânea, à delegacia responsável pela apuração dos fatos, prestou todos os esclarecimentos e pediu que fosse submetido a exame de corpo de delito e toxicológico.

A defesa já solicitou imagens da casa noturna, do trajeto percorrido e do flat, onde se hospeda o senador, em São Paulo. Tais filmagens, provas e testemunhas demonstrarão a verdade. Confiamos, como sempre, plenamente na Justiça.

O senador Irajá aguardará com serenidade a conclusão das investigações e a comprovação da sua plena inocência.

Carreira política

Irajá nasceu em Goiânia, mas fez a sua carreira política no Tocantins, por onde exerceu dois mandatos como deputado federal, entre 2011 e 2018, quando foi eleito para o Senado e se tornou o senador mais jovem da história do país a assumir a função — ele tinha 35 anos, idade mínima para ocupar o posto. Antes de entrar no PSD, ele foi filiado ao antigo PFL e depois ao sucessor DEM entre 2003 e 2011.

Boa parte de seus projetos tem relação com o agronegócio, mesma frente onde atua a sua mãe, Kátia Abreu. Entre as propostas apresentadas, estão iniciativas para permitir a regularização de terras que não respeitam os limites mínimos de reserva legal (desde que efetuem a compensação em dobro em outro local), para isentar a cobrança de IPI sobre caminhonetes de produtores rurais e para exigir que trabalhadores beneficiados por assentamentos rurais tenham domicilio na mesma cidade.

Nas votações mais polêmicas, ele foi contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), contra o recebimento de denúncia envolvendo o presidente Michel Temer (MDB) e a favor da reforma trabalhista e da PEC do Teto de Gastos.

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