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Ministro, Moro deve levar ‘República de Curitiba’ para o governo Bolsonaro

Ex-juiz pretende se cercar de nomes centrais da Lava Jato no Paraná, como os delegados Erika Marena e Igor de Paula e o ex-chefe local da PF Rosalvo Franco

Por Da Redação - Atualizado em 19 Nov 2018, 20h39 - Publicado em 19 Nov 2018, 17h45

O futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, deve trazer para o seu entorno, quando assumir o cargo, alguns dos principais nomes da chamada República de Curitiba, grupo de procuradores e delegados federais que, como ele, tiveram papel de destaque na Operação Lava Jato no Paraná.

Nesta segunda-feira, 19, ele confirmou que levou para o gabinete de transição do governo Jair Bolsonaro (PSL) – que ele também integra – os delegados Rosalvo Ferreira Franco, ex-superintendente da Polícia Federal no Paraná, e Erika Mialik Marena, que teria sido responsável por dar nome à operação, iniciada em 2014, com uma ação comandada por ela em um posto de combustíveis.

Erika ganhou o noticiário recentemente após polêmica envolvendo uma investigação da PF sobre desvio de recursos na Universidade Federal de Santa Catarina. A Operação Ouvidos Moucos levou à prisão o então reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, de 59 anos. Alegando inocência e dizendo-se humilhado, ele se suicidou em um shopping de Florianópolis logo após ser solto.

No final, o inquérito não reuniu nenhuma prova contra Cancellier (veja link com reportagem abaixo). Após uma investigação interna, na qual foi absolvida, Erika assumiu a Superintendência da PF em Sergipe, cargo que ainda ocupa.

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O ex-juiz almoçou com Erika e Franco nesta segunda-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde está reunida a equipe de transição. Participaram ainda Flavia Blanco  secretária da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atuava Moro e que deve ser a chefe de gabinete do futuro ministro e o agente da PF Marcos Koren, também do Paraná, que supervisiona a segurança do ex-magistrado nas viagens à capital federal.

Rosalvo Ferreira Franco dirigiu a Superintendência da PF no Paraná de abril de 2013 a dezembro de 2017, quando pediu exoneração e foi substituído por Mauricio Valeixo   amigo de longa data de Moro, deve assumir a função de diretor-geral da PF. Ele já atuou em Brasília, na gestão do ex-diretor-geral Leandro Daiello, quando chefiou a Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor).

O comando da Dicor agora deve ficar a cargo do também delegado Igor Romário de Paula, outro nome da Lava Jato no Paraná.

Em breve conversa com jornalistas após almoçar no CCBB, Moro disse que está cuidando da formação do ministério e do organograma de atividades na transição e que “talvez” o nome a ser indicado para a diretoria-geral da PF saia nesta semana. “No momento certo, os anúncios públicos serão feitos”, disse.

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Moro chegou a Brasília por volta das 10h30 e deve ficar até quinta-feira. Entre as atividades na capital federal, Moro poderá ter novo encontro com os ministros das pastas que, fundidas, vai comandar: o da Justiça, Torquato Jardim, e o da Segurança Pública, Raul Jungmann.

No domingo 18, a coluna Radar, de VEJA, informou que o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, é o preferido de Moro para substituir Raquel Dodge como procurador-geral da República.

‘A Lei é para Todos’

Quatro dos prováveis integrantes do estafe de Moro foram retratados no filme Polícia Federal – a Lei É para Todos, produção de 2017 dirigida por Marcelo Antunez, que abordou a primeira fase da Operação Lava Jato.

Erika Marena foi apresentada como a delegada Beatriz, interpretada pela atriz Flávia Alessandra. Igor Romário de Paula foi um dos policiais federais que inspiraram o personagem do delegado Ivan, vivido pelo ator Antonio Calloni. Rosalvo Ferreira Nunes ganhou vida no cinema na pele do ator Adélio Lima.

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(Com Estadão Conteúdo)

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