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Ministro da Justiça diz que crítica de procurador é ‘infundada’

Torquato Jardim afirmou que fim do grupo de investigação exclusivamente dedicado à Lava Jato faz parte de uma 'redistribuição de mão de obra'

Por Da Redação 27 jul 2017, 19h27

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse na tarde desta quinta-feira que as críticas por um esvaziamento da Operação Lava Jato são “infundadas”. No período da manhã, em entrevista coletiva, o procurador Athayde Ribeiro, do Ministério Público Federal (MPF), disse que Jardim “nem sequer consultou a força-tarefa” antes de encerrar o grupo de investigação exclusivamente dedicado à Lava Jato que existia em Curitiba.

“O que ocorreu foi uma reestruturação administrativa interna da Polícia Federal”, disse Jardim. “A Lava Jato está acontecendo em dezesseis capitais. Hoje, a Lava Jato é maior em Brasília do que em Curitiba”, afirmou. O ministro acrescentou que o efetivo da força-tarefa não foi reduzido. “É uma redistribuição de mão de obra e dos meios operacionais, que não significa diminuição da capacidade administrativa.”

Em entrevista coletiva na sede do ministério, Jardim afirmou que nunca fez críticas à Lava Jato à frente da pasta da Justiça e, anteriormente, no comando da Controladoria Geral da União (CGU). Ele declarou que as ações da Polícia Federal sofreram “contingenciamentos” de recursos, mas não cortes orçamentários. “Esses recursos estão sendo repostos dentro do possível.”

  • O ministro voltou a dizer que não atua para a queda do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. “Nunca houve pressão para que ele saia”, disse. “Eu e o Daiello estamos trabalhando juntos numa nova Polícia Federal”. Questionado se haveria um prazo para definir a situação do delegado, ele respondeu que “o ‘deadline’ cabe ao dono da caneta. E o dono da caneta é o presidente Michel Temer (PMDB).”

    A 42ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta quinta-feira, expôs o tamanho do racha entre o MPF e a PF em Curitiba. Em ofício encaminhado ao juiz Sergio Moro, o delegado Filipe Hille Pace afirmou com todas as letras que a PF só foi informada das investigações contra o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine após o pedido de instauração do inquérito feito pelo MPF ser vazado à imprensa. Pace queixou-se ao juiz de que as investigações foram iniciadas “sem amparo policial”, de maneira unilateral.

    Desde o ano passado, a relação entre os dois principais pilares da Lava Jato não é mais a mesma. Os problemas se agravaram durante as colaborações da delação da Odebrecht, nas quais a PF foi deixada de lado na mesa de negociação. A insatisfação fez com que parte do efetivo abandonasse as investigações, e a força-tarefa na Polícia Federal começou a  ser desmobilizada. No início do mês, a Superintendência da PF encerrou oficialmente o grupo de trabalho exclusivamente dedicado à Lava Jato em Curitiba.

    As forças-tarefa da “Lava Jato original” eram duas. A primeira era o grupo de trabalho da PF, desfeito recentemente. A segunda é um grupo de procuradores da República, chefiado por Deltan Dallagnol, que continua atuando conjuntamente. A PF informou oficialmente que os policiais dedicados exclusivamente à Lava Jato vão integrar, a partir de agora, a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor). A integração, segundo nota oficial, foi iniciativa do delegado Igor Romário de Paula, ex-coordenador da força-tarefa na PF.

    (Com Estadão Conteúdo)

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