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Ministério Público do Rio denuncia traficantes do Alemão que migraram para a Região dos Lagos

Instalação das UPPs levou quadrilha a buscar novos mercados nas proximidades de Búzios. Líder do bando foi preso durante a megaoperação de novembro

Por Da Redação 18 jan 2011, 16h40

Uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) mostra como a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) levou traficantes da capital a remontarem seus negócios no interior do estado. Com base num inquérito da 125ª DP (São Pedro da Aldeia), 20 pessoas tiveram a prisão preventiva decretada por envolvimento com o tráfico de drogas no município de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. A quadrilha era liderada pelo traficante Eduardo dos Santos Silva Neves, o Macaco-Aranha, preso durante a megaoperação de retomada do Complexo do Alemão, em novembro do ano passado.

“Com a instalação das UPPs, expulsos das comunidades da Cidade do Rio de Janeiro buscaram se estabelecer em comunidades do interior, pretendendo criar os mesmos esquemas hediondos”, diz a denúncia. “Alijado de seus domínios territoriais, ele [Macaco-Aranha] acabou por se esconder, primeiro, no Complexo do Alemão, e dali buscou expandir suas atividades ilícitas para esta cidade (São Pedro da Aldeia), concentrando-as, eliminando concorrentes, arregimentando outros malfeitores e impondo a política do terror e do medo à população”.

A estratégia da quadrilha consistia em infiltrar diversos traficantes na região, para revender maconha e cocaína, fazendo uso de armas e atos violentos para impor medo aos moradores. De acordo com a polícia, além de líder do bando, Macaco-Aranha era o responsável pelo envio das drogas, principalmente, para o Morro dos Milagres, no bairro Estação, e redondezas. A investigação aponta ainda que o criminoso costumava ir a São Pedro para fiscalizar as atividades da quadrilha e recolher dinheiro. Em uma dessas viagens, Macaco-Aranha teria chegado a matar um rival.

A remessa dos entorpecentes era feita principalmente por Fábio Octávio Ferreira de Barros (FB), e Fabrício Alves de Almeida (Billy). Eles usavam um táxi para fazer o transporte. Laércio Rangel Grubano, primo de Macaco-Aranha, e Luiz Paulo Neto de Souza (Do Porto), recebiam e armazenavam a droga em suas residências, de onde era repassada para outros revendedores.

Os denunciados responderão pelo crime de associação para o tráfico de drogas. Dos 20 acusados, 17 estão presos, em virtude de prisão temporária anteriormente decretada, prisões em flagrante ou preventivas por outros crimes. FB, Marcola e Julio César estão foragidos.

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