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Ministério investiga aliciamento de haitianos para trabalho escravo

Suspeita é de que pelo menos vinte imigrantes foram cooptados por um empresário na região central de São Paulo e levados para o interior de SC

Por Mariana Zylberkan 30 abr 2014, 17h54

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, do Ministério do Trabalho, investiga a primeira denúncia de trabalho escravo envolvendo imigrantes haitianos despachados do Acre para São Paulo em ônibus fretados pelo governador Tião Viana (PT). A suspeita é de que pelo menos vinte deles tenham sido cooptadas por um empresário estrangeiro, que as levou para Santa Catarina de forma clandestina na segunda-feira. Os imigrantes teriam sido aliciados para trabalhar em uma fazenda na região da cidade de Lajes (SC).

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Segundo a denúncia, no início da semana, o grupo de haitianos embarcou em um ônibus rumo a Santa Catarina. O veículo partiu da porta da Igreja Nossa Senhor da Paz, no bairro do Glicério, no Centro da capital paulistana, onde cerca de 200 haitianos estão abrigados de forma improvisada. Há cerca de um mês, pelo menos 400 haitianos foram embarcados pelo governo do Acre para São Paulo sem assistência nem acompanhamento. A acolhida tem sido feita pela Missão Paz, uma entidade filantrópica ligada à Igreja Católica, que administra a Casa do Migrante e é dedicada a receber estrangeiros que chegam ao Brasil.

Sem abrigo indicado pela prefeitura, os haitianos ocupam um auditório na sede da Missão Paz, onde dormem no chão e dividem dois banheiros pequenos. As refeições têm sido fornecidas pelo programa Bom Prato do governo paulista, e cerca de 300 carteiras de trabalho foram emitidas em mutirão organizado pela superintendência do Ministério do Trabalho em São Paulo.

Segundo o auditor-fiscal do Trabalho Renato Bignami, coordenador do programa de Erradicação do Trabalho Escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo, a falta de documentação coloca os imigrantes em risco.

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