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Milícia volta a ameaçar processo eleitoral no Rio de Janeiro

Encontro de armas em casa da zona oeste mostra que quadrilhas estão operando para influenciar eleições. Vereadora se defende de acusações e nega que local seja comitê de campanha

Por Cecília Ritto 1 ago 2012, 16h50

A campanha eleitoral no Rio ainda está decolando. Mas as milícias, consideradas uma ameaça ao pleito em todo o estado, já dão provas de que estão presentes, e atentando contra a liberdade dos eleitores e de candidatos. Na manhã desta quarta-feira, policiais federais encontraram em uma casa em Campo Grande, na zona oeste da capital, armas pesadas, munição, colete à prova de balas e uma central de TV a cabo clandestina. No local havia material de campanha da vereadora e candidata Carminha Jerominho, do PT do B. Filha do ex-vereador Jerominho (ex-PMDB), e sobrinha do ex-deputado Natalino Guimarães (ex-DEM), Carminha nega que o local seja um comitê de sua campanha. Ela acusa o miliciano conhecido como Toni Ângelo, um ex-policial militar, de tentar incriminá-la.

Na tarde desta quarta-feira, Carminha deu uma entrevista coletiva para apresentar explicações e sua versão sobre o ocorrido. Segundo fontes ligadas à polícia,Toni Ângelo, que já foi aliado de Jerominho, rompeu com o grupo e passou a controlar aquelas áreas da zona oeste. “Estou proibida de circular em oito regiões da zona oeste, entre elas parte de Santa Cruz”.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai analisar a versão de Carminha, e a Polícia Federal poderá dizem em breve quem era o dono do armamento. Por enquanto, a certeza é de que uma quadrilha com acesso a armas de guerra está operando na zona oeste do Rio, em uma clara ameaça ao processo eleitoral. “Sou a pessoa mais visada desta eleição. Eu não iria dar um ‘mole’ desses”, disse Carminha.

Segundo Carminha, só há no momento um comitê de sua campanha em funcionamento. “Só tenho um comitê de campanha. E não é neste local, onde inclusive estou proibida de entrar para fazer campanha”, disse a vereadora, que chamou de “armação” a armazenagem de armas e de material de campanha dela encontrados pela PF. Carminha afirmou ainda que, desde que ela assumiu o mandato, em fevereiro, Toni Ângelo tentava alocar indicados dele em seu gabinete.

O arsenal apreendido na casa da zona oeste é intimidador. Entre as armas há pelo menos duas escopetas calibre 12, três metralhadoras, granadas, colete à prova de balas e cápsulas para diversos calibres.

Na terça-feira, equipes de policiais e fiscais da Justiça Eleitoral recolheram material promocional ilegal de candidatos na favela de Manguinhos, na zona norte. Por decisão da Justiça Eleitoral militares das Forças Armadas devem atura em áreas de tráfico e milícia, na capital, e em cidade que recebem vultuosos recursos de royalties do petróleo – onde, segundo o presidente do tribunal, desembargador Luiz Zveiter, há processos “acirrados” de disputa eleitoral.

Escolta – Carminha afirmou que, na terça-feira, havia pedido à Secretaria de Segurança Pública do Rio um serviço de escolta, por se sentir intimidade. A vereadora diz ter protocolado na secretaria seus depoimentos dados ao TRE e à Polícia Federal a respeito de ameaças que sofre de milicianos.

Nas eleições de 2008, Carminha foi presa pela operação Voto Limpo, acusada de coação e formação de curral eleitoral durante aquela campanha. Ela ficou presa por 43 dias, durante a campanha, e foi eleita e diplomada dentro do presídio de Catanduvas, no Paraná. Em 2009, teve o diploma cassado. A situação de Carminha só se regularizou em fevereiro deste ano, quando o TRE reformou a sentença que havia cassado o diploma da vereadora.

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