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Michelle fora da política? As inseguranças da ex-primeira-dama, os ataques e a preferência de Valdemar

Esposa de Jair Bolsonaro deixou PL Mulher após briga com enteado e ameaça abandonar projeto eleitoral ao Senado

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 08h42 | Atualizado em 6 jul 2026, 10h26
Michelle fora da política? As inseguranças da ex-primeira-dama, os ataques e a preferência de Valdemar Priorizar nos meus resultados Google

Os primeiros ataques reputacionais começaram ainda no governo do marido, quando o nome de Michelle Bolsonaro passou a ser testado internamente como candidata a um cargo no Legislativo. Voos mais ambiciosos como a Presidência da República, a vaga de vice em uma chapa competitiva como a de Tarcísio de Freitas ou uma eventual cadeira de governadora sempre foram um veto expresso de Jair. “Candidata ao Executivo, nunca”, disse o ex-presidente mais de uma vez a diferentes interlocutores. Obediente, Michelle endossava a proibição com um argumento frugal: a falta de experiência política. O motivo real, no entanto, embutia, entre outros, o receio de a vida privada da família da ex-primeira-dama ser virada do avesso e a necessidade de preservar a filha caçula do casal, já alvo de maledicências e provocações nos quatro anos de governo do pai.

Os planos eleitorais de Michelle voltaram às rodas de especulação em Brasília depois de ela ter exposto desavenças com o primogênito da família, pré-candidato ao Palácio do Planalto, e ter acusado Flávio Bolsonaro de tê-la maltratado e desrespeitado. A razão alegada por ela foi ter se sentido “apunhalada” depois que seu partido, o PL, não embarcou na campanha de Priscila Costa, vice-presidente do PL Mulher, para uma vaga ao Senado pelo Ceará e cerrou fileiras em favor da candidatura ao governo do desafeto Ciro Gomes (PSDB), que em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA declarou que Lula e Bolsonaro são “rigorosamente iguais”.

Mas muito provavelmente a razão não é a única. Em um dos vídeos que publicou sobre a lavagem de roupa suja familiar, Michelle afirmou que havia dito “quase” tudo. O irmão Eduardo Torres completou: “falou pouco diante de tudo”. A ex-primeira-dama, que nunca se deu bem com os filhos do ex-presidente, é, afinal, uma espécie de arquivo vivo da alcova dos Bolsonaro. Para dar apenas um exemplo, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2016, ela teve 89.000 reais depositados em sua conta pelo notório Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio, e pela esposa dele. Os dados vieram à tona na esteira da investigação de rachadinha contra o Zero Um, um dos mais relevantes desgastes para o senador antes da era Daniel Vorcaro.

Com o embate com o enteado, Michelle afirmou ao presidente do PL Valdemar Costa Neto que pensa em não concorrer mais ao Senado pelo Distrito Federal, vaga para a qual era franca favorita e que encarava como uma “missão”. “Se meu coração arder”, dizia, topava se lançar ao Legislativo, como de fato o faria antes de bater de frente com Flávio. Valdemar, por sua vez, nunca escondeu que considerava que o ideal era que a ex-primeira-dama se arriscasse em um posto do Executivo, onde o cacique acreditava que ela daria trabalho aos concorrentes. Na quinta-feira, 2, ele anunciou que Michelle pensa em abandonar o barco da política. Não seria a primeira vez – tanto da cogitação quanto da eventual desistência.

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Duas das amigas mais próximas da ex-primeira-dama, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do DF Celina Leão (PP) convenceram-na a manter por ora a candidatura. Desde 2019, primeiro ano de governo de Bolsonaro, Michelle oscila pensamentos de desistência da vida pública com recuos posteriores. Segundo interlocutores, depois de anúncios privados de que deixaria o posto simbólico de primeira-dama para cuidar da família e das duas filhas, ela era convencida a continuar.

O mês de julho será decisivo para ela decidir se mantém ou não a candidatura ao Senado. A partir do dia 20 começam as convenções partidárias, requisito formal para as legendas apontarem os candidatos que se apresentarão nas urnas em outubro. A data limite para que os partidos registrem os nomes escolhidos na Justiça Eleitoral – com ou sem a ex-primeira-dama – é 15 de agosto.

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