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Mensalão tira ACM Neto do horário eleitoral em Salvador

Tecnicamente empatados, Nelson Pelegrino e ACM Neto apostam no debate desta quinta-feira, na Globo, para conquistar eleitores indecisos

Por Pâmela Oliveira, de Salvador 4 out 2012, 17h09

No último dia da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o mensalão tirou do ar o candidato do DEM à prefeitura de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto. Inconformado e pensando no segundo turno, em que provavelmente terá como adversário o petista Nelson Pelegrino, ACM Neto afirmou que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir que a Justiça Eleitoral na Bahia seja acompanhada de perto.

“Estou muito preocupado com o que está acontecendo na Justiça Eleitoral da Bahia. Vou ao TSE na semana que vem, pedir que o tribunal observe o processo eleitoral aqui. Acho que a Justiça Eleitoral da Bahia esta tendo pesos e medidas desiguais. Enfrentar o PT e o seu poderio faz parte do processo. Agora, enfrentar a Justiça não dá”, disse ACM Neto. “Pelegrino dedica mais da metade do tempo de propaganda para me bater, me agredir, me atacar. Ele não sai do ar e eu não ganho direito de resposta. Agora, na hora que faço uma crítica do mensalão, me tiram do ar no último dia de campanha”.

Proibido de exibir na propaganda de rádio e televisão qualquer referência ao mensalão, ACM Neto ingressou com uma medida cautelar no TRE para voltar à televisão. “Ontem à noite cortaram parte do meu programa. Não entrei na televisão de manhã. Estou tentando cassar essa decisão absurda para ver se volto à tarde. Último dia de campanha e eu estou fora do ar”, disse, durante uma caminhada com eleitores na região de Pau Miúdo.

O candidato democrata, que tem o apoio de outros quatro partidos, disse acreditar que a briga no primeiro turno está sendo a parte mais árdua da disputa. “A parte mais difícil da campanha eu estou encerrando hoje. Ou seja, uma campanha desigual, na qual meu principal adversário tinha 15 minutos de televisão contra os meus cinco. Ele tinha 30 inserções contra as minhas 11. E ainda com a força da Justiça eleitoral”.

ACM Neto brincou com o fato de, na oposição, enfrentar problemas parecidos com os adversários da família durante o período em que o carlismo dominava o estado. “Eu nunca vive este momento de domínio. Quando entrei na política, já entrei na oposição. Só sei o que é roer o osso”, disse.

Empatados tecnicamente na casa dos 30%, segundo as pesquisas de intenção de voto na capital baiana, ACM Neto e o petista Nelson Pelegrino terão na noite desta quinta-feira o último embate antes do primeiro turno das eleições municipais. O debate da TV Bahia, da Rede Globo, está marcado para s 23h – mesmo horário da programação da emissora para as outras capitais onde haverá o confronto. Na disputa pela prefeitura de Salvador estão ainda Mário Kertész (PMDB), Márcio Marinho (PRB), Hamilton Assis (PSOL) e Rogério da Luz (PRTB), todos abaixo dos 5% nas pesquisas.

O apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou de um comício em Salvador no dia 14 de setembro, e da presidente Dilma Rousseff nos programas de televisão, foram determinantes para o crescimento do petista. Pelegrino, que também tem o apoio do governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), usa como pode seu principal trunfo: as figuras mais importantes do partido. Candidato da coligação “Todos Juntos por Salvador”, ele destaca na propaganda a importância da parceria entre as três esferas de governo.

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“A chave da propaganda de Pelegrino é dizer que ele é do time do Lula. A presença de Lula no comício foi muito importante porque motivou a militância”, afirmou Joviniano Neto, professor de ciências políticas da Universidade Federal da Bahia. A estreia de Dilma na campanha aconteceu três dias depois de o ex-presidente Lula desembarcar em Salvador. Na fala, a presidente afirmou ser necessária a parceria com os governos estadual e federal, ambos do PT, para a boa administração da cidade.

Na oposição, o candidato do DEM, que lidera a coligação “É hora de Defender Salvador” conta com o senador Aécio Neves (PSDB) para neutralizar a estratégia do PT. O tucano participou, no dia 28 de setembro, do comício do democrata.

“Aécio Neves apareceu para dizer que foi governador em Minas Gerais, da oposição, e fez um bom governo. Ou seja, afirma que é possível fazer bom governo sem ser da base aliada do PT”, analisa Joviniano. Para ele, a participação do senador na campanha baiana é parte da estratégia tucana para a disputa presidencial de 2014. “Na prática, a participação do Aécio funciona também para ele se fazer conhecido na Bahia. O baiano conhece Lula e Dilma, mas não sabe quem é Aécio”, afirma.

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