Mensagens sugerem que JBS tentava comprar decisões em tribunais

VEJA teve acesso a conversas entre executivo e advogada e ouviu testemunho que acusa a empresa de tentar subornar ministros do STJ

Por Rodrigo Rangel, Daniel Pereira - Atualizado em 11 set 2017, 16h52 - Publicado em 7 set 2017, 20h48

No final da tarde de quarta-feira, na véspera do feriado da Independência, a Procuradoria-Geral da República recebeu mais uma bomba em seu setor de protocolo: centenas de documentos, na forma de áudios, emails e mensagens de WhatsApp, que sugerem que a JBS, ao contrário do que contou em sua delação, tentou, de forma sistemática, comprar decisões em tribunais superiores em Brasília.

São dezenas de conversas mantidas entre o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, e uma advogada que trabalha para a empresa, Renata Gerusa Prado de Araújo. Na troca de mensagens, os dois traçam estratégias para obter decisões favoráveis a empresas do grupo — seja por meio de “pagamentos em espécie”, como eles próprios definem, seja por meio tráfico de influência — em processos sob relatoria de uma desembargadora federal, Maria do Carmo Cardoso, que vem a ser mãe da própria Renata, e de pelo menos três ministros do Superior Tribunal de Justiça: Napoleão Maia, Mauro Campbell e João Otávio Noronha.

Assis e Renata também conversam sobre arestas que deveriam ser aparadas com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a voz mais ativa contra o que considera abusos nas investigações da Lava Jato. Quem levou o acervo ao Ministério Público é o empresário Pedro Bettim Jacobi, ex-marido da advogada Renata Araújo, que está num processo litigioso de separação. Ele copiou do celular da ex-mulher os arquivos que considerava comprometedores.

Confira abaixo uma das conversas entre Francisco e Renata:

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