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Meditação, massagem e carrancas: o debate por trás das câmeras

Por Da Redação 3 out 2014, 08h32

Relax – Na véspera do mais importante duelo antes do primeiro turno das eleições, Marina Silva decidiu botar o pé no freio e dar atenção total para o debate. Sem agenda pública no Rio, a candidata, entre as checagens dos números e dados apresentados pela equipe, fazia de hora em hora exercícios vocais passados por uma fonoaudióloga. Para relaxar, Marina ainda teve direito a sessão de massagem. Já o vice Beto Albuquerque não poupou energia: participou de reuniões com a campanha e, ao fim, calçou o tênis e foi correr oito quilômetros no calçadão da Barra – com um policial civil à paisana por perto.

Não funcionou – Apesar do repouso, Marina não conseguiu se recuperar completamente. Resultado: voz rouca ao longo de todo o debate, o que lhe deu ar de cansaço.

Funcionou – Já a presidente Dilma Rousseff não deu nem mesmo entrevista nesta quinta-feira e intensificou os gargarejos. A rouquidão de dois dias atrás praticamente desapareceu.

Meditação x política – O emblemático Eduardo Jorge bateu à porta da Rede Globo às 19 horas, quase cinco horas antes do início do debate. Adepto de técnicas de meditação e relaxamento, dirigiu-se ao camarim para se concentrar – mas foi interrompido. Aliados de Marina Silva, Roberto Freire, presidente do PPS, e Roberto Amaral, do PSB, fizeram questão de se aproximar do verde. Afinal, o segundo turno é logo ali.

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Vizinhas – Por pouco, as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva não dividiram o mesmo teto no Rio de Janeiro. As equipes das duas presidenciáveis escolheram o hotel Windsor, na Barra da Tijuca, para se hospedar antes do debate. A campanha da petista saiu na frente e fez a reserva primeiro. Coube, então, à turma da adversária procurar outro lugar. A justificativa? O hotel estaria “ocupado”.

Carranca – Dilma Rousseff, por temperamento ou orientação de marqueteiros, se apresentou novamente com a cara fechada. Não sorriu uma vez sequer, nem na apresentação.

Cola – Nenhum candidato recorreu tanto à “cola” quanto Dilma. Ela levou uma espécie de caderno grosso com a divisão dos temas do debate, marcados com post-its. E usou os papéis desde o início: sua primeira resposta, a respeito da corrupção, foi parcialmente lida.

Levantador – Depois de perder até o apoio de seu mentor Silas Malafaia, que aderiu à candidatura de Marina Silva, Pastor Everaldo deixou em segundo plano a defesa de valores morais e da liberdade econômica: assumiu definitivamente a função de levantar a bola para Aécio Neves. Na primeira pergunta que fez, Everaldo podia perguntar para qualquer candidato, exceto Dilma: escolheu Aécio e quis saber o que ele achava do uso eleitoral de órgãos públicos pelo PT. Na segunda chance, escolheu o mesmo interlocutor e chamou Aécio de “meu querido senador”.

Amarelou – Luciana Genro e Marina Silva escolheram terninhos amarelos para chamar atenção no último debate antes do primeiro turno. As duas também resolveram usar na lapela um adesivo com seus respectivos números. E, pelo sorteio, acabaram sentadas lado a lado. Ou seja: a estratégia para se destacar não funcionou.

Esporte fino – Entre os homens, Eduardo Jorge foi o único a deixar o terno de lado – como nos outros debates.

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Celebridades – Aécio Neves convidou dois famosos para assistir ao debate nos disputados lugares do auditório: o ex-jogador Ronaldo e o cantor Fagner.

Em cima da hora – A presidente Dilma Rousseff foi a última a chegar ao debate: vinte minutos antes do início.

Flexibilidade – A TV Globo concedeu aos candidatos uma margem de tempo extra mesmo após o cronômetro zerar. Com isso, as interrupções do mediador William Bonner se tornaram mais raras – pelo menos até o debate começar a esquentar.

Palmas – Quando Aécio Neves agradeceu a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no estúdio, William Bonner teve de interferir para conter os aplausos da plateia.

O bom e velho dilmês – Como não poderia faltar, a presidente Dilma voltou a escorregar no português. Logo na primeira fala, ao responder questionamento sobre corrupção feito por Luciana Genro, soltou: “Essa será um debate muito propositivo”. Mais adiante, outro tropeço, desta vez dirigindo-se a Aécio Neves: “A inflação no meu governo foi bem sucedida quando se compara com o que aconteceu quando o senhor era líder do governo que quebraram o país”. E, para encerrar com chave de ouro, prometeu mais saúde e menor segurança. Opa. “Melhor segurança”, corrigiu.

Dr. Carranca – As afirmações de Levy Fidelix no debate da TV Record deixaram uma herança para o nanico do PRTB. Na primeira pergunta dirigida a ele, Eduardo Jorge sugeriu que ele pedisse desculpas aos homossexuais. Fidelix chegou bufando ao microfone. Enquanto Jorge e Luciana Genro, outra adversária com quem polarizou, falavam, ele apenas apertava as mãos com cara de bravo.

Dedo em riste – Luciana Genro aproveitou as intervenções para atacar os nanicos e os candidatos mais bem posicionados na disputa presidencial. Chegou a subir o tom de voz, com o dedo em riste, e interromper uma tréplica de Aécio Neves. Em tom provocativo, ela disse que Aécio e Dilma eram o “sujo falando do mal lavado”. Depois, acusou o tucano de ser o “fanático das privatizações.

Palavras ao vento – Todos os candidatos debateram com os ânimos exaltados. Marina Silva chegou a improvisar uma espécie de réplica da tréplica, quando quis responder à tréplica da presidente Dilma Rousseff no terceiro bloco. Marina perguntou por que Dilma não cumpriu compromissos de campanha de 2010. Dilma justificou que escândalos de corrupção só foram descobertos porque o governo investigou. Mas Marina não ficou satisfeita e respondeu, depois da tréplica de Dilma, antes de ser cortada pelo apresentador: “A forma como a senhora fala, toda atrapalhada, é a maior demonstração…”. Eduardo Jorge também quis esticar o tempo das respostas além do permitido.

Temer atrasado – O vice-presidente Michel Temer foi o último convidado da comitiva de Dilma a chegar ao debate. Estava acompanhado do ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, e de outros correligionários.

Na gaveta – A três dias das eleições, Marina Silva levou ao debate uma proposta inédita: o pagamento de 13º salário para beneficiários do Bolsa Família. Alvo de críticas pelas mudanças no programa de governo, a candidata pelo PSB negou que a ideia tenha sido sacada de última hora: “O tema era estudado ainda quando Eduardo Campos era vivo. Ele ia apresentar essa proposta na última entrevista que deu ao Jornal Nacional [um dia antes da morte], mas preferiu esperar e fazer cálculos profundos para analisar esse tipo de suporte”, disse Marina.

Aécio, o verde – Todas as vezes que pôde escolher o adversário, Dilma quebrou a tendência dos últimos debates e fugiu de questionar Marina Silva. No lugar, mirou o tucano Aécio Neves, que surpreendeu até a equipe da socialista ao tratar sobre questões ambientais e apresentar uma série de números sobre o desmatamento. “A Marina daria um chapéu. Mas ele foi bem”, admitiu Neca Setubal, coordenadora do programa do PSB. Para integrantes do partido de Marina, a escolha do tucano foi estrategicamente calculada: “É um reconhecimento de que o Aécio é mais fraco e mais fácil de ser batido no segundo turno”, disse Beto Albuquerque, vice de Marina Silva.

E tem mais – Levy Fidelix saiu do debate com a certeza que ganhou votos após declarações sobre homossexuais. Em coletiva de imprensa, ele foi questionado sobre o que faria se tivesse um filho ou filha homossexual, Fidelix respondeu: “Isso eu não tenho. Graças a deus”.

Em queda – O coordenador da campanha de Marina, Walter Feldman (PSB), disse que Dilma priorizou o embate com Aécio Neves porque acredita ser mais fácil vencê-lo no segundo turno. Ele afirmou ainda que a presidente-candidata está em queda nas pesquisas internas do partido, saindo de 47% para 45% dos votos válidos. “Dilma está em queda. Hoje estaria com 45% dos votos válidos nas nossas pesquisas. Tinha 47%. O embate com Aécio mostra que é uma polarização mais fácil de ser conservada. O PT prefere enfrentar o PSDB”, afirmou na saída do debate. (Gabriel Castro, Marcela Mattos e Daniel Haidar, do Rio de Janeiro)

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