Clique e assine a partir de 9,90/mês

Marina critica primeiras medidas econômicas de Dilma

Ex-candidata atacou o aumento da taxa de juros e o anúncio da redução do superávit primário em 2014 logo após o fim das eleições

Por Da Redação - 23 nov 2014, 17h54

A ex-senadora e ex-candidata pelo PSB à Presidência Marina Silva criticou as primeiras medidas tomadas pela presidente Dilma Rousseff na economia após o segundo turno das eleições. Marina não quis fazer comentários sobre os nomes cogitados para os ministérios do novo governo, mas afirmou que a presidente adotou um rumo conservador – que durante a campanha tanto criticou.

Leia também:

Entrevista Neca Netúbal: ‘Temos de educar nossas crianças para uma democracia melhor’

Marina gastou 43,9 milhões de reais na campanha

Continua após a publicidade

A Executiva da Rede Sustentabilidade, partido que Marina não conseguiu ainda viabilizar, realizou dois dias de reuniões em Brasília. A ex-senadora informou que os integrantes da agremiação, que se filiaram ao PSB para a disputa eleitoral deste ano, continuarão até que se consiga as cerca de 32.000 assinaturas que ainda faltam para criar o partido.

Marina voltou a falar em “marketing selvagem” do PT durante a campanha. “Uma coisa foi o marketing selvagem para se ganhar a eleição e outra coisa agora é a realidade. A nossa atitude de oposição independente é coerente com aquilo que falamos durante a campanha. Seremos contrários ao que julgarmos que seja ruim e favoráveis ao que for bom”, disse a ex-candidata.

TVEJA: ‘Marina já mostrou que não é morna; Rede fará oposição’, diz Feldman

Um dos pontos criticados por Marina foi o aumento da taxa de juros e o anúncio da redução do superávit primário em 2014, logo após o fim das eleições. O Banco Central elevou a Selic de 11% para 11,25% ao ano em outubro, surpreendendo o mercado financeiro. “Uma outra coisa que antes era tratada como um tabu durante a campanha eram os preços administrados. E já vimos ações tomadas logo após a eleição. Esta é a diferença entre a realidade e o mundo colorido do marketing selvagem do PT”, completou.

Continua após a publicidade

Marina também afirmou que Joaquim Levy, favorito para assumir o Ministério da Fazenda, foi braço direito do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e classificou o economista como “competente”. Ela lembrou que Palocci foi o responsável pelo superávit fiscal que superou a meta de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005 e chegou a 4,84%. “E a presidente Dilma criticou muito isso (a elevação do superávit) durante a campanha.”

Marina não quis comentar a hipótese de a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) assumir o Ministério da Agricultura. “Vivemos um momento delicado, de uma visão desenvolvimentista, que não respeita o meio ambiente. O Código Florestal representou um retrocesso no Congresso e o desmatamento volta a crescer”, avaliou.

Oposição – Embora o PSB só deva anunciar sua posição em relação ao governo federal na próxima quinta-feira, a Rede Sustentabilidade já se declara “oposição” à gestão Dilma Rousseff. Antes da legalização do partido, a Rede evita fazer um balanço de parlamentares eleitos, mas, sem citar nomes de aliados, a estimativa é que o novo partido, quando criado, tenha seis deputados estaduais, dois deputados federais e um senador na próxima legislatura.

As deliberações da Executiva Nacional tomadas neste fim de semana serão levadas à reunião do Diretório Nacional da Rede Sustentabilidade, que ocorrerá no próximo mês.

Continua após a publicidade

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade