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Marina corteja o agronegócio: ‘Não precisam ter medo de mim’

Candidata tem histórico conturbado com o setor devido a trajetória ligada à causa ambiental

Por Da Redação - 30 ago 2018, 09h41

Em segundo lugar nas pesquisas nos cenários sem o ex-presidente Lula (PT), a ex-senadora Marina Silva (Rede) tentou, nesta quarta (29), diminuir a resistência ao seu nome em um dos principais setores da economia brasileira: o agronegócio.

“Sei que os senhores têm muitas dúvidas em relação à minha pessoa, mas não precisam ter medo de mim”, disse a candidata da Rede, durante a participação em um evento da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). “Acho que estar frente a um setor que representa 44% das nossas exportações e tem uma contribuição enorme na geração de renda do nosso país é uma oportunidade muito grande”, elogiou, em uma tentativa de reduzir a tensão.

O histórico conturbado de Marina com os produtores rurais decorre de sua trajetória de militância ambiental desde a juventude, quando combatia o desmatamento na Amazônia. A situação se agravou quando a candidata da Rede comandou o Ministério do Meio Ambiente durante o governo Lula e foi ferrenha defensora das garantias ambientais para produção agrícola.

Adotando um discurso moderado, a ex-senadora afirmou que “é possível combinar desenvolvimento com preservação da natureza”. “Quando a gente usa a terra de forma inteligente, liberamos mais área para outro uso”, disse. “O problema é que existe grande desigualdade entre os produtores, o conhecimento ainda não é disponível a todos. Precisamos ajudar produtores que não têm acesso à tecnologia a ter.”

Marina Silva afirmou que, graças aos ganhos de produtividade do setor, a crise econômica agravada a partir de 2015 não teve efeitos ainda mais agudos. “Vocês transformaram a safrinha de milho (segunda safra), na principal safra (do ano) dessa cultura”, disse. “Onde antes se cultivava apenas uma lavoura de soja ou milho, agora centenas de milhares de produtores cultivam uma lavoura de soja, seguida de uma lavoura de milho ou algodão e muitos ainda semeiam um capim braquiária e colhem uma ‘safrinha’ de boi gordo”, disse.

Venezuela

A candidata da Rede defendeu que o Brasil tenha uma política de acolhimento humanitário dos venezuelanos que deixam seu país de origem, como efeito da crise provocada pelo governo do ditador Nicolás Maduro. “A situação da Venezuela é dramática, pela perda da democracia e em relação ao sofrimento do seu povo”.

“O governo brasileiro errou quando, por alinhamentos políticos, não fez prevalecer o ideal que nos deve orientar e nos deixou sem nenhuma ação política”, falou, criticando a atuação dos governos em relação ao regime de Maduro. “O Brasil tinha de liderar na América Latina o esforço diplomático para que a Venezuela não chegasse aonde chegou”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)

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