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Marcos Valério despachava dinheiro do mensalão em carro-forte, diz procurador

Para acusação, operador do mensalão era presença frequente em reuniões do PT e tinha carta branca para negociar a formação da base governista

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro
3 ago 2012, 16h27

Apontado como o braço operacional do esquema do mensalão, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza era “presença frequente” em reuniões do PT e chegou a utilizar carros-fortes para movimentar os recursos que abasteceram o projeto de compra de parlamentares. As informações constam da acusação apresentada nesta sexta-feira pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, durante o julgamento da ação penal do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).

“José Dirceu foi o mentor do esquema e Marcos Valério foi seu principal operador”, disse o procurador-geral. Valério, que responde no STF pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, passou, na versão do Ministério Público, de mero financiador a personagem influente na política, com carta branca para negociar a formação da base aliada do governo.

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De acordo com Roberto Gurgel, os recursos movimentados por Valério e por instituições financeiras, como o Banco Rural, chegaram a impor a contratação de policiais para a escolta dos malotes destinados à propina. “Alguns dos saques feitos pela quadrilha impuseram que policiais e carros-fortes fossem contratados, tamanho o volume de recursos”, relatou.

“Convenhamos, fossem lícitas essas operações, por que fazê-las ao largo do nosso sistema financeira, do nosso sistema bancário?”, questionou o procurador.

Núcleo operacional – Ao defender a condenação de Valério e de seus funcionários por participação no mensalão – eles integram o “núcleo operacional” na denúncia – Roberto Gurgel citou, por exemplo, e-mails trocados entre funcionários de Marcos Valério e servidores do banco. Foram anexados à peça da acusação quatro mensagens eletrônicas em que a então gerente financeira da agência da publicidade SMP&B, Geiza Dias, informa ao Banco Rural as pessoas que iriam sacar os recursos, a maior parte deles intermediários dos verdadeiros participantes do esquema.

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“Geiza encaminhava os nomes dos destinatários (dos recursos), uma função de natureza mais interna no funcionamento da quadrilha. Cabia a ela encaminhar principalmente, por correio eletrônico, a qualificação dos receptadores. Geiza controlava os depósitos ilícitos”, relator o procurador-geral.

Para ele, a ex-diretora financeira da SMP&B, Simone Vasconcellos, também ré no processo do mensalão, tinha a responsabilidade de avisar aos beneficiários do esquema do mensalão que o dinheiro já estava disponível. “Na divisão de tarefas próprias de grupos criminosos, Simone Vasconcellos era responsável por avisar os beneficiários da disponibilidade do dinheiro”, disse. “Simone tinha uma habitual e sistemática atuação no pagamento de vantagens indevidas a parlamentares federais”, afirmou.

Banco Rural – O papel do Banco Rural no esquema também foi detalhado por Gurgel. De acordo com o procurador, a organização financeira consentia com as fraudes de Marcos Valério desde 1998. Com o esquema do mensalão, a entidade passou a liberar um grande volume de empréstimos falsos para as companhias do publicitário, que se encarregava de redistribuir os recursos a parlamentares da base aliada do governo Lula.

Para ceder os empréstimos irregulares, diretores do banco ignoravam as normas que exigem garantias para a concessão de crédito. “O banco não tinha preocupação de receber os empréstimos. Por isso, não se preocupavam coma garantia”, explicou o chefe do Ministério Público. Em troca, o Banco Rural pretendia obter vantagens estatais: o alvo era a liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco, que poderia render ganhos bilionários para a entidade aliada de Marcos Valério.

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