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Marcos Uchôa: “Política não é algo ruim”

Após trabalhar por 38 anos na TV Globo, o jornalista enfrenta seu maior desafio: ser eleito deputado pelo Rio

Por Victoria Bechara Atualizado em 5 ago 2022, 17h56 - Publicado em 6 ago 2022, 08h00

Por que resolveu entrar para a política? Quando eu saí da Globo, recebi uns quinze convites de coisas bem interessantes, mas queria algo diferente. Cheguei a pensar em ajudar uma ONG, mas nenhuma ONG é maior que a política. Era a chance de dar uma contribuição em um momento particularmente delicado no Brasil. Se não fosse Bolsonaro, se fosse um outro presidente e em outra situação, eu não sei se estaria entrando para a política. Bolsonaro piorou tanto a conversa e o clima na sociedade que todo mundo que puder deveria participar.

Como tem sido a reação do público? As pessoas ficaram muito felizes, falam “cara, que legal, que coragem, que bom”. Mas também dizem “não entra, você vai se queimar, esse negócio é pesado, tem muita sujeira”. Essa reação reflete o que construímos, que é uma certa desmoralização da política. É uma coisa meio louca porque a política somos nós todos e o mundo que a gente quer viver. Então como achar ruim entrar para a política?

É atacado por ter sido da Globo? Na rua, não. Tem gente que fala “adoro seu trabalho, mas acho que você não deveria entrar na política”. Só isso, e, mesmo assim, muito pouco. Mas nas redes sociais tem gente falando mal, xingando. É do jogo. Eu só me preocupo muito com a violência. A morte do petista por um bolsonarista em Foz do Iguaçu mostra que as pessoas estão completamente loucas em relação ao que é pensar diferente.

Por que o PSB e o apoio a Lula? Os pais do meu pai fugiram do Recife por causa de perseguição política. Meu pai foi exilado, saiu em 1964 e voltou na anistia, em 1980. Lá fora é muito nítido o que a corrupção do Rio significou para o Brasil. Cinco governadores foram presos, um sofreu impeachment. Eu pensei: quem tem a melhor chance de quebrar essa sequência? É o Marcelo Freixo (PSB), porque o Cláudio Castro (PL) é mais do mesmo. Cobri viagens do Lula, FHC, Dilma. Vi o respeito que o Brasil tinha lá fora. O Bolsonaro jogou tudo no chão. Lula é hoje quem tem mais chances de derrotá-lo.

O jornalismo profissional, alvo constante de Bolsonaro, tem cumprido bem o seu papel? Há três episódios recentes em que não foi bem: nas manifestações de 2013, no que eu chamo de golpe da Dilma e durante a Lava-Jato. A grande mídia, e isso inclui a TV Globo, ficou um pouco satisfeita de ficar como observadora, e pouco crítica em relação ao que estava acontecendo.

Publicado em VEJA de 10 de agosto de 2022, edição nº 2801

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