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Marcelo Odebrecht contesta Lava Jato e diz ser alvo de ‘publicidade opressiva’

No interrogatório que serviria para esclarecer suspeitas de corrupção, empreiteiro ataca Ministério Público e critica prisões

O executivo Marcelo Odebrecht, que ficou nesta sexta-feira pela primeira vez diante do juiz Sergio Moro, que decretou sua prisão em junho, atacou os métodos de investigação do Ministério Público e disse esperar que uma eventual condenação sua não seja imposta para justificar todos os dias que ficou atrás das grades. “As atitudes recorrentes que estou vendo nesse processo evidenciam um perigoso e preocupante quadro de prejulgamento a que estou sendo submetido. Temo que esse processo acabe conduzindo a um desfecho que sirva para justificar a prisão preventiva injusta e desnecessária que me foi imposta”, disse ao juiz Sergio Moro. Odebrecht está preso há 133 dias em Curitiba.

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No interrogatório que serviria para esclarecer as acusações que pairam contra o empresário, ele optou por reclamar de não ter sido ouvido previamente pelo Ministério Público, condenar o “vazamento seletivo” de documentos que poderiam comprometê-lo e até acusar os investigadores de terem grampeado uma de suas filhas menor de idade.

Marcelo Odebrecht apresentou na manhã de hoje uma espécie de auto-interrogatório e encaminhou a Moro um conjunto de 60 perguntas e respostas que considera relevante para esclarecer as suspeitas de que participou do esquema do petrolão. Diante do Ministério Público, porém, disse que não cabe a ele autorizar que advogados da construtora Odebrecht abram mão de questionar na Suíça o envio ao Brasil de informações sobre supostas propinas pagas pela companhia. Em defesa escrita, o empresário alega que, como presidente da holding Odebrecht, “não se envolve na gestão de nenhuma área de negócio específica, já que cada empresa do grupo tem autonomia para gerir suas atividades”.

No que classificou como uma “exposição inicial” ao juiz Sergio Moro, o empreiteiro criticou as prisões preventivas, buscas de documentos e grampos impostos na Operação Lava Jato, pediu para responder ao processos “em liberdade e sem prejulgamento” e citou ações sociais do Grupo Odebrecht, como a informação de que “mais de 150.000 famílias dependem da relação direta de trabalho na Odebrecht”.

Contra o Ministério Público, atacou: “A força-tarefa nunca me convocou para prestar nenhum esclarecimento sobre os fatos que me foram imputados. Apesar dessa minha manifesta e pública intenção de contribuir e de colaborar com a investigação, em retribuição a isso o que vi? Prisões preventivas, uma sobre outra, buscas e apreensões, interceptações telefônicas e telemáticas, inclusive de minha família e de minhas filhas menores de idade, quebras de sigilo fiscal e bancário, bloqueio de bens”. A Justiça não determinou o monitoramento telefônico das filhas do empreiteiro, mas conversas grampeadas há menções eventuais a conversas dele com familiares.

“[São] Todas as medidas extraordinárias, que causam transtornos enormes, foram tomadas em cima de especulações que talvez não tivessem prevalecido se os investigadores tivessem se dado ao trabalho de me ouvir. Mesmo após a extensa devassa que foi feita na minha residência, nas empresas Odebrecht, absolutamente nada ficou provado contra mim. Não surgiu qualquer evidência que justificasse minha prisão. Não existe comprovação ou contestação que comprove as acusações”, disse ele.

“Sofro com vazamentos seletivos de documentos sigilosos, documentos pessoais que não tem nenhuma relação com o objeto da denúncia. São ações típicas do que o pessoal nomeia de publicidade opressiva”, resumiu. Marcelo Odebrecht responde a duas ações penais no escândalo do petrolão por suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.