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Mantega repete explicações sobre caso Denucci

Ministro fala pela primeira vez a parlamentares sobre o episódio e nega ter se omitido diante de denúncias de corrupção

Por Gabriel Castro 13 mar 2012, 15h15

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta terça-feira ter sido negligente diante das denúncias que ocasionaram a demissão do presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, em janeiro. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o petista disse que tomou as providências necessárias para apurar o caso. E que a demissão, às vésperas da revelação das suspeitas pela imprensa, já estava programada. Foi a primeira vez que o ministro tratou do assunto no Congresso. Originalmente, a pauta da reunião desta terça trataria do cenário econômico do país.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), primeiro a falar, foi quem trouxe as denúncias de corrupção à pauta. Mantega disse que tomou as providências necessárias assim que recebeu uma denúncia formal, embora tenha sido alertado ainda em 2010 pelo PTB. Segundo ele, o caso foi relatado aos órgãos de investigação da forma adequada: “Esse é o procedimento: não se baseia em boatos, fofoca; se baseia em denúncias formais”, justificou. Denucci é acusado de cobrar propina de fornecedores da Casa da Moeda e enviar os recursos para o exterior.

Segundo o ministro, a Fazenda tomou providências quando soube que o caso era investigado pelo Ministério Público. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, acrescentou, ainda analisa o episódio. Ainda assim, diante da situação, a queda do presidente da Casa da Moeda já estava acertada – a pedido do próprio Denucci. “Nós ficamos sabendo que a Folha de S.Paulo estava preparando uma reportagem e apressamos sua demissão para que ele pudesse ter a liberdade de fazer a sua defesa”.

Critérios – O ministro negou envolvimento do PTB na nomeação e na demissão de Denucci: “Não dá para dizer nem que eu atendi a pressões para ele ficar nem para ele sair. Tudo ocorreu dentro de critérios de racionalidade e de eficiência técnica. Ele teve um bom desempenho e depois começamos a ter esses problemas”.

Mantega também ignorou a disputa política por cargos de direção no Banco do Brasil. Pela versão dele, tudo não passa de rumores infundados: “Apareceram fofocas de que tinha gente disputando cargos. Eu não consegui detectar. Não há disputa de cargo porque eles estão sob nossa responsabilidade e nós não permitimos que isso aconteça”, afirmou.

Embora se dê em um momento de tensão dentro da base aliada, a visita de Mantega ao Senado não provocou qualquer incidente. Os governistas, mesmo os integrantes do PMDB, limitaram suas perguntas à pauta econômica. Mesmo os oposicionistas Paulo Bauer (PSDB-SC) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) ignoraram as denúncias de corrupção. Alvaro Dias e o colega Mário Couto (PSDB-PA), que também cobrou o ministro sobre o episódio da Casa da Moeda, ainda ouviram uma reprimenda de Lindberg Farias (PT-RJ). Para o petista, a corrupção não deveria pautar a audiência pública: “A oposição tem que vir discutir as grandes questões. Tem que sair da pequenez da arena e discutir a situação do Brasil, do mundo, a pressão sobre a nossa indústria”.

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Economia – O senador Alvaro Dias também lembrou aquilo que chamou de “previsões sempre anunciadas com grande ênfase sem a confirmação esperada”, em referência ao crescimento decepcionante do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, que foi de 2,7%. Mantega se defendeu: “É natural que haja equívocos por parte dos analistas, e não só do analista que vos fala. Felizmente o senhor não tem que fazer previsão. Mas eu tenho”.

O ministro afirmou ainda que as medidas de controle do câmbio por parte do governo têm surtido efeito e vão prosseguir para garantir a estabilidade da produção nacional: “Se o dólar estivesse em 1,40, a indústria já estaria quebrada. Não teria condições de competitividade e não conseguiria exportar nada”, afirmou. O ministro defendeu de maneira feroz as medidas tomadas pelo governo “A eficácia dessas medidas é inequívoca, mas não é suficiente. Outras medidas têm de ser tomadas”, disse Mantega, afirmando também que o câmbio atual, em torno de 1,80 real, é uma situação um pouco mais favorável às exportações e à sobrevivência da indústria.

Em resposta ao senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE), Mantega disse que o governo também nutre uma preocupação especial com os spreads bancários, que estão altos. “Os spreads subiram muito no ano passado com medidas restritivas. Estamos em um trabalho para que sejam reduzidos”, garantiu.

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