Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Mantega e Miriam Belchior: preferidos na agenda de Dilma

Balanço dos compromissos do primeiro ano de mandato mostra que economia foi prioridade. Recebeu celebridades e deu pouco espaço a movimentos sociais

Desde o primeiro compromisso após a posse – um encontro com o príncipe de Astúrias, Felipe de Borbón – até o último dia 15 de dezembro, a presidente Dilma Rousseff cumpriu uma agenda extensa em seu primeiro ano de mandato. Foram 137 cerimônias, 37 almoços oficiais, sete jantares, 28 reuniões com executivos de empresas privadas, doze conversas com representantes de organismos internacionais, audiências com governadores de dezoito estados, vinte reuniões de coordenação política e viagens a quinze países. A presidente também falou com cinquenta emissários de governos estrangeiros – alguns, como o americano Barack Obama e a argentina Cristina Kirchner, tiveram direito a mais de uma reunião. Num ano de crise financeira internacional, porém, uma análise detalhada da agenda mostra que Dilma deu atenção especial a uma dupla de ministros ligada ao setor. Foram 29 reuniões com Guido Mantega, da Fazenda, e 28 com Miriam Belchior, do Planejamento. Em média, um encontro a cada nove dias de trabalho.

Outros subordinados, como Alexandre Padilha (Saúde), Fernando Haddad (Educação) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) também tiveram mais de dez audiências com a presidente. Ao todo, houve 303 reuniões com ministros. Os menos íntimos do Planalto foram Luiza Bairros (Igualdade Racial), Mendes Ribeiro (Agricultura), Pedro Novais (ex-Turismo), Jorge Hage (Controladoria-Geral da União), Alexandre Tombini (Banco Central) e, surpreendentemente, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). Todos aparecem com apenas uma audiência na agenda de Dilma. No caso de Carvalho, é preciso fazer uma ressalva: muitos encontros da presidente com os integrantes da “cozinha” do Planalto (que inclui, além do secretário-geral, Gleisi Hoffmann, da Casa Civil e Ideli Salvatti, de Relações Institucionais) não aparecem na agenda. Poderia ter sido pior. José Elito Siqueira, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não mereceu um encontro oficial sequer.

Parlamentares – O ano de 2011 incluiu muitas posses de ministros: foram 45. A presidente esteve em apenas sete dessas cerimônias. A agenda inclui também 37 almoços e sete jantares. Os movimentos sociais não parecem ter recebido grande atenção. Em 2011, houve espaço para um encontro com representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e um com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. Sobrou tempo também para uma reunião com o movimento dos atingidos por barragens. Os parlamentares parecem ter razão quando se queixam da falta de diálogo com a Presidência. Apenas sete deles foram recebidos de forma individual, fora das reuniões com líderes partidários. E cada um por um motivo especial: Marco Maia (PT-RS) preside a Câmara dos Deputados e esteve duas vezes a sós com Dilma. José Sarney (PMDB-AP), eterno presidente do Senado, visitou a petista por três vezes.

O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE) também aparece na lista. Rui Falcão (PT-SP), deputado federal, esteve no gabinete três vezes. Mas isso só aconteceu porque Falcão é presidente do PT. Sobram três parlamentares. O senador Paulo Paim (PT-RS) esteve com Dilma para receber um puxão de orelha, já que ameaçava se rebelar na votação do salário mínimo. Kátia Abreu (PSD-TO), ex-oposicionista, visitou Dilma na condição de presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O último nome é o o deputado João Paulo Lima (PT-PE), ex-prefeito do Recife. O parlamentar pretendia deixar o partido e se filiar ao PV. Dilma pediu que ele mudasse de ideia. Funcionou.

Viagens e famosos – As viagens de Dilma, que começaram num ritmo lento no primeiro semestre, se acentuaram na segunda metade do ano. Ao todo, a petista visitou quinze países de todos os continentes. Foram outras 46 viagens dentro do Brasil. Em doze ocasiões, a presidente esteve em território paulista. O estado do Rio de Janeiro recebeu outras onze visitas. O saldo geral é este: Dilma esteve trinta vezes no Sudeste, dez no Nordeste, oito no Sul e quatro no Norte. Para o Centro-Oeste, nada. A agenda da presidente Dilma Rousseff não teve espaço para Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz e dissidente do regime iraniano. A equipe do Planalto alegou que não é costume receber personalidades que não sejam chefes de estado. Mas o Palácio abriu as portas para a cantora Shakira, o artista plástico Romero Brito e o roqueiro Bono. A apresentadora Ana Maria Braga também esteve com Dilma à beira do fogão, nos estúdios da TV Globo no Rio de Janeiro.