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“Manda o nome agora, mesmo com risco de ser rejeitado”: o conselho dado a Lula na crise com Senado

Jorge Messias enfrenta resistência política e vira teste de força entre Planalto e Congresso em ano eleitoral

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 abr 2026, 18h00
“Manda o nome agora, mesmo com risco de ser rejeitado”: o conselho dado a Lula na crise com Senado Priorize VEJA no Google

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal abriu uma nova frente de tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Senado — e expôs os limites da articulação política do governo em um momento sensível do calendário eleitoral (este texto é um resumo do vídeo acima).

No programa Os Três Poderes, a editora Laryssa Borges e os colunistas Robson Bonin e Mauro Paulino analisaram os bastidores da escolha e os riscos de o nome sequer avançar na Casa comandada por Davi Alcolumbre.

Por que a indicação de Messias virou uma aposta de risco?

A decisão de Lula de enviar o nome de Messias ao Senado foi tomada mesmo diante de um cenário adverso. Segundo Laryssa, interlocutores do presidente defenderam que o governo precisava agir, ainda que corresse o risco de derrota.

A avaliação no Planalto foi pragmática: “Manda o nome do Messias agora, mesmo que ele arrisque ser rejeitado”, relatou a colunista, ao descrever o conselho dado ao presidente.

A estratégia leva em conta precedentes internacionais e nacionais em que indicações ficaram paradas por razões políticas — e tenta evitar que o governo perca a iniciativa no processo.

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O Senado pode simplesmente travar a indicação?

O maior obstáculo está nas mãos do presidente do Senado, que não esconde o desconforto com a escolha feita sem consulta prévia. Como cabe a ele pautar a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, o processo pode ser retardado indefinidamente.

Há, inclusive, o risco de que a análise fique para depois das eleições, repetindo movimentos já vistos em outros países. “Pode acontecer de simplesmente o Senado sentar em cima da indicação e esperar ver o que vai sair das urnas”, afirmou Laryssa.

Qual é o jogo político de Alcolumbre?

Para Bonin, o chefe do Senado adota uma estratégia típica de quem controla o tempo do jogo. Ele teria sinalizado ao Planalto que não ajudará na aprovação, mas também não atuará diretamente contra.

“O Alcolumbre lavou as mãos ao Lula, disse que não vai ajudar, mas sinalizou que também não vai atrapalhar”, afirmou.

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Na prática, porém, essa neutralidade é vista com desconfiança, já que a simples demora em pautar a sabatina já representa um obstáculo significativo à indicação.

A indicação tem impacto eleitoral?

Na avaliação de Paulino, a escolha de Messias pode ter efeitos políticos positivos para Lula em determinados segmentos do eleitorado, especialmente entre grupos religiosos.

Segundo ele, a indicação “tende a contemplar uma parcela de eleitores evangélicos” que não se identificam com o bolsonarismo, podendo funcionar como ativo eleitoral.

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Ainda assim, o ganho político depende da capacidade do governo de viabilizar a aprovação — ou ao menos de sustentar a narrativa da escolha.

As críticas de Lula ao Senado ajudam ou atrapalham?

O cenário ficou ainda mais delicado após declarações do presidente sobre o papel dos senadores. Em entrevista, Lula afirmou que parlamentares com mandato de oito anos “pensam que são Deus”, ao comentar a dificuldade de articulação com o Legislativo.

A fala repercutiu negativamente. Para Bonin, o episódio expõe um erro de estratégia política. Já Paulino avalia que esse tipo de declaração não encontra respaldo na opinião pública.

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“Não pega bem porque o eleitor valoriza muito os valores democráticos”, afirmou o colunista.

O que está em jogo nessa disputa?

Mais do que a vaga no Supremo, o impasse revela uma disputa mais ampla entre Executivo e Legislativo em um momento de fragilidade política do governo.

Com um Senado menos alinhado e uma eleição no horizonte, a indicação de Messias se transforma em um teste de força — e em um termômetro da capacidade de Lula de construir maioria fora do Planalto.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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