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Maia diz que haverá quórum para votação de denúncia contra Temer

Presidente da Câmara estima que pelo menos 480 deputados estarão presentes na Casa na próxima quarta-feira - número mínimo para votação é de 342

Por Da redação - Atualizado em 28 jul 2017, 18h01 - Publicado em 28 jul 2017, 16h35

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira em São Paulo que haverá quórum suficiente na Casa para votar, na próxima quarta-feira, a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). Para Maia, a votação na data predeterminada antes do recesso parlamentar é “melhor solução” para o país. A estimativa dele é que mais de 480 deputados estejam presentes na Câmara – o democrata definiu que abrirá a votação quando houver 342 parlamentares no plenário.

“Na minha opinião, haverá quórum. O Brasil precisa de uma definição para esse assunto. Não se pode, do meu ponto de vista, jogar com um assunto tão grave, tão sério, como uma denúncia oferecida pela PGR [Procuradoria-Geral da República] contra o presidente da República. Nosso papel é votar. Quem quiser vota sim, quem quiser vota não. Mas não votar é manter o país parado no momento em que o Brasil vive uma recuperação econômica, mas ainda com muitas dificuldades”, disse ele.

Assim como no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), os votos serão nominais e abertos, ou seja, cada deputado será chamado ao microfone para dizer se concorda ou não com o parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), contrário à aceitação da acusação da PGR contra Temer pelo crime de corrupção passiva.

“Acho muito grave que a Câmara não tome uma decisão. Que seja para aprovar ou não [a denúncia]. Isso é uma decisão de cada deputado. O que a gente não pode é deixar o paciente em centro cirúrgico, com a barriga aberta”, acrescentou o presidente da Câmara. Rodrigo Maia disse ainda que um possível adiamento paralisaria a pauta do Congresso Nacional. “A melhor solução para o Brasil é que a denúncia seja votada na quarta”, completou.

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Maia falou com a imprensa após almoçar com o prefeito em exercício de São Paulo, vereador Milton Leite (DEM), na sede da prefeitura, no centro da capital. O prefeito paulistano, João Doria (PSDB), está em viagem à China.

Reformas e meta fiscal

Rodrigo Maia disse também que o Congresso pretende retomar as apreciações das reformas propostas pelo governo assim que for encerrada a votação da denúncia contra o presidente. “Tenho muita esperança e vou trabalhar fortemente para que a gente possa votar a reforma da Previdência porque entendo que o Brasil tem problemas graves a médio e longo prazo, problemas estruturais que precisam ser resolvidos. É vendida como uma reforma que vai tirar direitos dos mais pobres, mas é exatamente o contrário. O déficit da Previdência é que tira direitos dos mais pobres e privilegia poucos”, disse. Outra votação que Maia destacou como importante é a da simplificação do sistema tributário.

Apesar de ter reafirmado seu apoio à política econômica do governo federal, Rodrigo Maia criticou a possibilidade de revisão da meta fiscal já estabelecida pelo governo. Ele defende a ideia de que a meta “fique onde está”. “Não devemos, nem podemos, sem motivo, mexer na meta fiscal que foi apresentada no início do ano. Temos um rombo fiscal gravíssimo no Brasil e precisamos votar a denúncia [contra Temer] para que possamos voltar ao tema das reformas, porque com elas vamos conseguir superar esse déficit fiscal”, declarou.

(com Agência Brasil)

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