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Lulinha à lobista: ‘a gente tá se arriscando’, ‘qualquer m. não tem explicação nenhuma’

Conversa ocorreu em 18 de janeiro de 2024, foi recuperada pela PF e está em investigações contra filho primogênito do presidente Lula

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Ricardo Chapola Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2026, 19h02 | Atualizado em 24 ago 2026, 19h04
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Investigado por suspeitas de tráfico de influência junto ao governo do pai, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, disse à amiga e lobista Roberta Luchsinger que ambos estavam se “arriscando” ao viajarem para a Europa com custos aparentemente incompatíveis com os rendimentos que ele alegava ter. A conversa ocorreu em 18 de janeiro de 2024, foi recuperada pela Polícia Federal e integra as apurações contra o primogênito do presidente Lula.

Conforme mostrou reportagem de capa de VEJA, a PF aponta a dupla como integrante de uma sociedade oculta estruturada para abrir portas junto a órgãos do governo federal, como o Ministério da Saúde e a Dataprev, e investiga possíveis crimes de corrupção, organização criminosa, tráfico de influência e exploração de prestígio.

Captura de tela de mensagens de WhatsApp com fundo claro e marca dágua Veja. As mensagens mostram uma conversa entre Roberta Luchsinger e Fabio Silva - Lula sobre uma viagem. Fabio expressa desconforto, enquanto Roberta tenta tranquilizá-lo sobre os custos, estimando 100 mil. As mensagens são datadas de 18 de janeiro de 2024.
. (Reprodução/Reprodução)

Conforme relatório policial, naquele dia de janeiro de 2024 Roberta e Lulinha discutem preparativos para uma viagem à Europa e, em especial à Suíça, onde, apontam os policiais, a lobista tinha como meta prospectar a abertura de contas bancárias. No diálogo Fábio Luis está reticente quanto à viagem pelo risco de os valores do passeio virem a público e ele ter de se explicar. “Roberta, a gente tá se arriscando… Não precisa… É só esperar uns poucos meses e podemos fazer isso sem medo de nada”, escreve o filho do presidente. Àquela altura o grupo tentava colocar de pé um projeto milionário de compra de insumos à base de canabidiol pelo governo federal, tema de interesse direto do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

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Na sequência, Lulinha continua: “Então meu amor… Eu não tenho dim dim nem origem pra isso… Não da preu gastar esse tanto agora… Qualquer m. não tem explicação nenhuma”.

Por décadas a Suíça foi considerada um paraíso para endinheirados que buscavam manter suas finanças nas sombras, mas a má fama de abrigo de virtuais criminosos levou instituições bancárias suíças a adotarem regras de maior transparência no sistema bancário mundial. O mesmo aconteceu com o principado de Liechtenstein, que, conforme revelou VEJA, também era um destino estudado pelo grupo para abrigar recursos.

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Captura de tela de um aplicativo de mensagens com conversas entre Roberta Luchsinger e Fabio Silva - Lula. As mensagens discutem passagens, hotel e um valor estimado de 100 mil, com a palavra Veja em marca dágua no centro
. (Reprodução/Reprodução)

A edição de VEJA que está nas bancas e plataformas digitais mostrou que a PF descobriu que Roberta Luchsinger mantinha uma sociedade informal com o filho mais velho do presidente e com o empresário Fernando Bittar, antigo parceiro de negócios de Lulinha. A aliança era tão profícua que Roberta dizia ter ouvido do próprio Lula a oferta para que escolhesse “onde queria ficar” no governo. Em uma mensagem encaminhada em janeiro de 2024 a um empresário, escreveu: “sabe, fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando”. “Tô em cargo nenhum e ando onde quero”, completou. Para evitar riscos desnecessários, a orientação era evitar expor Lulinha, que “só entra em campo qdo [quando] precisa. Tem q se preservar”.

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De acordo com os investigadores, pelo conteúdo do celular da lobista, é possível concluir que a atividade desempenhada por ela, Bittar e o filho do presidente “consistia em fazer interlocução junto a agentes e órgãos governamentais com o objetivo de defender interesses privados”.

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