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Lula viaja ao exterior por 12 dias

Em meio às informações da Operação Porto Seguro, ex-presidente prefere ficar fora país

Por Da Redação 30 nov 2012, 17h48

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uma estratégica viagem ao exterior em meio a novos desdobramentos da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. A operação desbaratou uma quadrilha que fazia tráfico de influência e corrupção em órgãos públicos. Uma das peças-chave do esquema era a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, nomeada por Lula durante seu governo. Até agora, o ex-presidente tem evitado a imprensa para não comentar os atos praticados por Rosemary. E com a viagem, mostra que pretende permancer assim.

Segundo sua assessoria de imprensa, Lula embarca dia 7 para Berlim, onde participará das celebrações do aniversário de uma confederação de sindicatos do setor metalúrgico da Alemanha. Nos dias 11 e 12, participa de um seminário em Paris, na França, sobre a crise econômica mundial – evento promovido pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean Jaurès. No dia 13, Lula estará em Barcelona, na Espanha, para receber um prêmio pelo combate à pobreza e à desigualdade. O ex-presidente só retorna ao país em meados de dezembro.

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A assessoria de Lula afirma que os compromissos já estavam agendados anteriormente, pois envolvem a presença de autoridades dos países em questão.

Não há como negar, no entanto, que a viagem não poderia acontecer em melhor hora para o ex-presidente, que ficará longe de perguntas sobre como Rosemary usava seu nome para conseguir indicações para cargos em órgãos e agências reguladoras do governo. Segundo relatório da PF, Rosemary teria tratado diretamente com Lula a nomeação dos irmãos Paulo e Rubens Vieira – que eram diretores da Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), respectivamente. Apontados como chefes da quadrilha pela PF e presos durante a operação, os irmãos Vieira foram afastados dos cargos. Rosemary foi exonerada pela presidente Dilma Rousseff, que também extinguiu o cargo que ela ocupava.

Venda de pareceres – O papel de Rosemary no esquema era fazer a ponte entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e as pessoas do governo que poderiam viabilizar a emissão desses documentos. Nomeada por Lula como chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo em 2005, Rosemary era muito próxima ao petista.

Mesmo sendo apenas chefe de gabinete, ela tinha passaporte diplomático e realizou viagens oficiais a 24 países, muitas delas ao lado do ex-presidente. Em uma delas, negociou a indicação de sua filha Mirelle para um cargo na ANAC. A PF flagrou Rosemary negociando suborno em dinheiro e favores, como uma viagem de cruzeiro, uma cirurgia plástica e assessoramento jurídico para um divórcio. Na última conversa dela gravada antes da deflagração da operação, a ex-assistente de Lula pediu 650 000 reais pelos serviços prestados.

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