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Lula não soube lidar com classe C que ele mesmo criou, diz pesquisador

Em novo livro, Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, discute a classe C, que é a maioria do eleitorado, e suas demandas políticas para as eleições de 2026

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 ago 2026, 16h00
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O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, aponta que, nas eleições deste ano, principalmente nos estados, sairão na frente os candidatos que chamarem a população para participar das decisões de seus governos para a vida real. Em seu recém-lançado livro O Brasil da maioria, o pesquisador se debruça sobre a ascensão e a estagnação, nos últimos 25 anos, da classe C, à qual pertencem hoje mais de 100 milhões de brasileiros.

Esse segmento é a maioria absoluta do eleitorado, espremida entre quem recebe auxílio diretamente de programas sociais do Estado e os mais ricos, que têm capital próprio e quase não dependem de serviços públicos. “Na hora que essa fatia da população precisa que o Samu chegue no momento certo, o Estado falta. Quando ela vai abrir seu pequeno negócio, sobra o Estado com a burocracia”, diz Meirelles.

Estudioso desse recorte socioeconômico, Meirelles lembra que, nos dois primeiros governos de Lula, de 2003 a 2010, a classe C votou em peso no petista por ver em sua plataforma a chance de seus filhos chegarem às universidades, da conquista da casa própria e de seus pequenos negócios crescerem graças ao aumento real do salário mínimo. Daí, nasceu uma nova geração, que não tem memória da pobreza que seus pais viveram e nem tampouco é elegível para programas sociais.

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Esses jovens se identificam, muitas vezes, com ideias liberais na economia e com o empreendedorismo, ao mesmo tempo em que veem o Estado e sua burocracia como barreiras, em vez de suportes. “Lula não aprendeu a lidar com a classe C que ele mesmo criou”, afirma o pesquisador.

A classe C não é homogênea, explica o presidente do Instituto Locomotiva. “Mulheres lideram 53% dos lares desse segmento. São elas que querem saber concretamente se vai ter vaga ou não na creche. São elas que utilizam serviços públicos. Quando o homem vai na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), vai levado pela mulher. É a mulher que fica na fila da matrícula na escola pública para os filhos. Isso explica a vantagem do Lula sobre Flávio Bolsonaro entre mulheres, principalmente na classe C.”

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Ainda assim, o petista precisará ficar atento ao fato de que, hoje, a classe C que ele ajudou a expandir não é mais elegível para programas sociais e nem tampouco tem o mesmo acesso a crédito dos ricos. “É a maioria absoluta do eleitorado, espremida entre quem recebe diretamente do Estado e aqueles que têm dinheiro próprio, poupança”, diz Meirelles.

Para o autor, vão largar na frente das disputas estaduais candidatos a governador que chamarem a população para o processo de decisão. “Tanto Raquel Lyra como João Campos fizeram isso no governo de Pernambuco e na prefeitura do Recife, oferecendo aplicativos e serviços de WhatsApp para se comunicar com a população, seja pedindo informações ou oferecendo acesso a serviços públicos.”

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“Hoje, você chega em uma repartição pública e só encontra uma placa dizendo que agredir funcionário público é crime previsto em lei. Por que uma UPA não tem um QR code para o cidadão informar se todos os médicos escalados estão realmente lá, avaliar a qualidade da consulta e dizer qual é o tamanho da fila?”, questiona Meirelles.

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