Lula lança pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo
Petista deixou o comando do Ministério da Fazenda nesta quinta-feira; lançamento foi feito no sindicato dos metalúrgicos do estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou oficialmente a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT-SP) ao governo do estado de São Paulo na noite desta quinta-feira, 19. O lançamento foi feito na sede do sindicato estadual dos metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, reduto político dos petistas em território paulista, a 30 quilômetros da capital.
“A maneira correta de fazer uma eleição é ir para o embate para ganhar a eleição, mas sabendo do lado de quem você está (…). Eu não disputo eleição para barganhar nada, eu disputo para ganhar (…). A vitória é sempre possível, basta você se apresentar de cara limpa e com um bom projeto”, declarou Haddad durante o evento. O ministro negou que estivesse fazendo um sacrifício ao se lançar na disputa. A questão de um eventual sacrifício é comentada nos bastidores porque, inicialmente, Haddad tentou evitar a função, visto que foi derrotado em 2022 para o atual governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que agora aparece com ampla vantagem eleitoral em todas as pesquisas de intenção de votos feitas até aqui.
Ainda durante seu discurso, Haddad sinalizou que deverá nacionalizar a campanha, fazendo diversas referências ao presidente Lula e suas principais bandeiras. “É muito importante que a gente reapresente, neste ano, o presidente Lula para o Brasil e para o mundo como a voz da ponderação e da paz”, disse. Ele também falou sobre luta contra o fascismo e em prol da soberania nacional.
Haddad foi apontado no evento como “o ministro mais exitoso do governo Lula” e como “líder capaz de fazer as mudanças que a economia nacional precisava”. O presidente Lula destacou a capacidade de negociação acima da média do ministro com a Câmara e com o Senado: “Ele chegou a quase 80% de vitória, não é pouca coisa”. Lula também afirmou que Haddad “é bem melhor que o governador atual” de São Paulo.
Inicialmente, o evento seria feito sob o mote “escutar São Paulo e fazer o que precisa ser feito“, mas, antes do início, a chamada foi alterada para “em defesa de São Paulo; em defesa do Brasil“. Além de Lula e Haddad, estiveram presentes os presidentes nacional e estadual do PT, Edinho Silva e Kiko Celeguim, respectivamente; o vice-presidente, Geraldo Alckmin; o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu; o deputado estadual Eduardo Suplicy; o ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro da Educação Camilo Santana; além de lideranças do PCdoB, PV e PSB.
“É impossível nós mudarmos o Brasil sem mudar o estado de São Paulo”, declarou Edinho Silva, o primeiro a discursar no evento. Já Alckmin destacou que Haddad é um homem vocacionado para fazer as mudanças que o estado precisa.
Mais cedo, em outro evento na capital paulista, Haddad já havia anunciado que esta quinta-feira, 19, seria seu último dia no comando do Ministério da Fazenda. “Hoje, para mim, é um dia especial, um dia em que estou deixando o Ministério da Fazenda”, disse. O braço direito de Lula também deu destaque, no discurso do evento anterior ao projeto aprovado no ano passado no Congresso Nacional que isentou pessoas que recebem salário de até 5.000 reais de pagarem imposto de renda retido na fonte, além do fato “de compensar a perda da arrecadação cobrando [IR] dos super-ricos, que não pagavam imposto de renda no Brasil porque auferiam dividendos que eram isentos”. A saída dele do comando da Fazenda foi rodeada da expectativa do anúncio desta noite.
Haddad disputou o governo paulista pela primeira vez em 2022, quando foi derrotado por Tarcísio. No entanto, sua ida ao segundo turno (a primeira do PT em São Paulo desde 2002) contribuiu para a eleição do presidente Lula no plano nacional. A possibilidade de que, agora em 2026, o cenário se repita é importante para a eleição presidencial, mesmo com Haddad caminhando para uma possível derrota em São Paulo.
Anteriormente, Haddad também já disputou a Presidência da República contra Jair Bolsonaro, em 2018, quando Lula estava preso por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Ele foi ao segundo turno, mas perdeu com 44,87% dos votos válidos.
Em 2016, Haddad tentou a reeleição à Prefeitura de São Paulo e foi derrotado no primeiro turno por João Doria (à época filiado ao PSDB).
A única vitória nas urnas de Haddad até hoje foi a disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2012, quando ele derrotou José Serra (PSDB). Nas negociações políticas, o petista participou de um encontro na casa do ex-governador de São Paulo Paulo Maluf ao lado de Lula, que na época disse ter escolhido um candidato “com cara de tucano” para vencer em solo paulistano.







