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Lula e Temer: por 10 dias, dois ex-presidentes presos ao mesmo tempo

A Polícia Federal queria ainda a prisão de Dilma Rousseff por suspeita de ter se beneficiado da corrupção do grupo J&F

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 27 dez 2019, 10h20 - Publicado em 27 dez 2019, 06h00

O ano de 2019 entrará para a história como aquele em que o país teve pela primeira vez, por dez efêmeros dias, dois ex-presidentes da República atrás das grades ao mesmo tempo: Lula e Michel Temer. A Polícia Federal queria ainda a prisão de Dilma Rousseff por suspeita de ter se beneficiado da corrupção do grupo J&F, pedido negado pelo ministro Edson Fachin, do STF. Alvo de um desdobramento da Lava-Jato no Rio de Janeiro que investigava desvios na construção da usina de Angra 3, Temer foi detido em 21 de março, 79 dias depois de passar a faixa presidencial a Jair Bolsonaro. O emedebista foi levado para a carceragem da PF — enquanto isso, Lula já se encontrava havia quase um ano em Curitiba cumprindo pena pelo tríplex do Guarujá. O juiz Marcelo Bretas ordenou a prisão de Temer baseado na delação premiada do empreiteiro José Antunes Sobrinho, da Engevix, e no risco de obstrução às apurações. Em seu relato à Justiça, Antunes disse que o coronel reformado da PM paulista João Baptista Lima Filho, amigo de Temer há mais de trinta anos, recebera 1,1 milhão de reais em propina em nome do político por meio de contratos da Eletronuclear, estatal que construiu Angra 3 e era uma notória área de influência do ex-presidente. A deliberação de Bretas foi derrubada quatro dias depois por uma liminar do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Temer ainda voltaria à prisão quando a Primeira Turma Especializada do próprio TRF2 revogou a mesma liminar, em 8 de maio. Passados seis dias, contudo, saiu de lá por decisão unânime do STJ. Em entrevista a VEJA em novembro, o ex-presidente disse não ter havido “respeito ao rito processual” na ordem de prisão e ter sofrido uma “desmoralização inadequada” no episódio. Após a breve temporada no cárcere, o emedebista vem se dedicando ao seu escritório de advocacia e a escrever um romance que começou na prisão, além de dar palestras no Brasil e no exterior.

Publicado em VEJA de 1º de janeiro de 2020, edição nº 2667

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