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Lula diz que foi difícil convencer PT a aceitar Haddad

Declaração do ex-presidente foi feita no mesmo dia que a senadora foi nomeada para comandar o Ministério da Cultura em troca de apoio a Haddad

No dia em o Palácio do Planalto oficializou a barganha política da senadora Marta Suplicy, com sua nomeação para o cargo de ministra da Cultura, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu à militância do PT, nesta terça-feira, que foi difícil convencer o partido a aceitar a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.

“Não pensem que foi uma tarefa fácil”, disse Lula, em seu primeiro ato de campanha ao lado do afilhado, na Quadra dos Bancários, palco tradicional de comícios petistas na cidade. “Conversei com um por um dos companheiros da direção do partido, com a companheira Marta e os companheiros foram compreendendo que possivelmente a minha tese desse certo.”

Em um discurso de quase meia hora, o ex-presidente afirmou que a escolha de Haddad para disputar a eleição em São Paulo aconteceu “da mesma forma” como quando “descobriu que a companheira Dilma precisaria ser candidata a presidente da República”. Lula disse ainda que, assim como Dilma, Haddad também enfrentou resistências dentro do partido, por ele nunca ter disputado uma eleição. “Muita gente me dizia que era uma loucura indicar a Dilma”, afirmou. “Eu respondia: ela aprende. Eu aprendi. Ela, que é muito mais inteligente do que eu, vai aprender”.

“E o resultado está aí. Bastou um ano e nove meses apenas para Dilma provar que a mulher não quer ser mais objeto de cama e mesa, não quer ser tratada como objeto de segunda categoria”, afirmou Lula. “Ela começou a abraçar e gostou. E esse aqui (Haddad) vai gostar muito mais”, disse.

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FHC – Lula evitou o confronto direto com ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em artigo publicado há alguns dias criticou o governo petista. A presidente Dilma Rousseff divulgou nota oficial rebatendo o tucano. Coube a Haddad às crÍticas a FHC, afirmando que apesar de ter “muitos diplomas universitários”, o tucano nada fez pela educação. “O seu antecessor, presidente Lula, aprovou uma lei retirando da educação mais de 20% de seu orçamento”, disse o ex-ministro da Educação.

Haddad disparou ainda críticas ao adversário José Serra por ter renunciado, em 2006, à prefeitura de São Paulo para disputar o governo do Estado. “Ele abandonou a cidade, priorizando seu projeto político pessoal”, afirmou. O petista disse também que o prefeito Gilberto Kassab, que apoio a candidatura de Serra, “não tem vocação para administrar o que quer que seja”.

Pouco antes, o presidente municipal do PT e coordenador da campanha de Haddad, Antônio Donato, afirmou que “Serra está derrotado”. “A população de São Paulo vai dar um enterro de indigente ao Serra”, disse.

Sem citar o nome do candidato do PRB, Celso Russomanno, líder nas pesquisas eleitorais, Haddad afirmou que os eleitores de Sao Paulo não devem “cair numa ilusão” porque “ela não nos levará para a mudança”. As críticas diretas a Russomanno ficaram no discurso ao anfitrião do evento, Vagner Freitas, presidente nacional da CUT. “Sao Paulo não pode entrar em uma aventura. São Paulo é muito grande para entrar nessa aventura”, disse. “O que Russomanno sabe fazer além de apresentar programa na TV?”