Lula dá pontapé inicial na campanha usando as cores do Brasil e falando em soberania nacional
Presidente fez evento com milhares de pessoas em seu reduto político, remontando a Grande Greve de 1979 de São Bernardo do Campo (SP)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu o pontapé inicial na sua campanha à reeleição em um evento com apoiadores no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, na manhã deste domingo, 16. No ato para milhares de pessoas, ele falou os pontos mais importantes de sobre seu projeto: soberania nacional, segurança, proteção das mulheres, exploração de terras raras, valorização da educação e a importância de eleger candidatos ligados aos trabalhadores, não aos patrões. Com a bandeira do Brasil sendo expostas em diversos momentos, o evento teve a execução do hino nacional, feita pela cantora Fafá de Belém, e fogos de artifício coloridos em verde e amarelo.
“Quem manda no crime organizado está morando em coberturas, não nas favelas. “Temos que acabar com isso. Se for aprovada a PEC da Segurança Pública, vamos libertar o povo prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou um bairro pobre. Eu quero mudar o país, mas primeiro tenho que mudar a Constituição”, disse Lula ao citar um dos temas de campanha mais importantes deste ano.
Lula também relembrou as mortes que o país registrou durante a pandemia da Covid-19, responsabilizando o governo Bolsonaro. “Enquanto eu for vivo, não vou deixar a direita, que ria das crianças com Covid ou de um velhinho que estava com falta de ar, voltar [à Presidência]”, afirmou o presidente.
Lula, que anteriormente já havia dito que pretende ser “porreta” em um eventual quarto mandato, também falou sobre sua vontade de intensificar o investimento em educação. “Num quarto mandato, quero acabar com alguns dilemas deste país. Um deles é a formação. Quero que meninos e meninas entrem na universidade”, disse ao comentar que os primeiros quatro governos do PT criaram mais de 600 institutos federais de educação. “Investir em educação é muito mais barato do que custear presos na cadeia”.
Em aceno às mulheres, o presidente Lula também ressaltou que deseja ter uma educação no país que ensine os homens a respeitá-las. “Tem que aprender desde pequeno que as mulheres são iguais”, comentou Lula.
O presidente também retomou seu discurso em torno da luta de classes, destacando sua própria trajetória. “É preciso gostar de política, porque o país é governado por quem gosta. Não podemos passar o ano inteiro reclamando dos patrões e, nas eleições, eleger um patrão. É como colocar uma raposa para cuidar das galinhas dentro de um galinheiro”, criticou.
Retorno à base política
O evento foi fortemente marcado por um tom de recordações e saudosismo da época em que Lula era líder sindical, com exposição de vídeos e imagens antigas, em preto e branco, e efeitos de edição para deixar as imagens da transmissão ao vivo também na mesma tonalidade.
O estádio da Vila Euclides, onde o evento foi realizado, é um palco político histórico para Lula, já que foi o espaço onde, em 1979, durante o governo ditatorial do general João Figueiredo, o sindicato dos metalúrgicos do ABC Paulista, do qual Lula era então diretor, fez uma série de manifestações trabalhistas e mobilizou a Grande Greve do ABC Paulista.
A equipe de campanha aproveita o evento deste domingo para gravar peças de vídeo que deverão ser usadas ao longo dos próximos dias. A ideia central é recolocar o presidente como uma figura que se opõe ao sistema — posição que costuma empolgar os eleitores mais jovens –, relembrando os atos trabalhistas de cinco décadas atrás.
A arquibancada do estádio comporta 12.500 pessoas (porém alguns setores foram isolados com bandeiras) e o público também é espalhado no centro, no espaço do gramado. A estimativa da organização é ter, ao menos, 20 mil pessoas ao todo.
Estiveram presentes os principais aliados do presidente por todo o país, candidatos aos governos estaduais, ao Senado, presidentes de partidos aliados. Entre os nomes de maior destaque estão as ex-ministras Simone Tebet, Marina Silva e Gleisi Hoffmann.







