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Líderes do Centrão rejeitam que DEM indique vice de Alckmin

Grupo não quer 'hegemonia' com acúmulo de vice e Presidência da Câmara e alega que ex-ministro Mendonça Filho atrelaria tucano a Michel Temer

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 25 jul 2018, 20h57 - Publicado em 25 jul 2018, 17h43

Enquanto o empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, não dá resposta definitiva sobre se será ou não candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Geraldo Alckmin (PSDB), líderes das siglas que compõem o chamado Centrão (PP, PRB, DEM, SD e PR), que fechou apoio ao tucano, não veem com bons olhos a possibilidade de o DEM indicar o companheiro de chapa do ex-governador de São Paulo. O nome de Josué, filiado ao PR, havia sido consenso entre os partidos.

Dada a capilaridade do DEM, sobretudo em municípios do Nordeste, um vice indicado pela legenda vem sendo ventilado como plano B a Josué Gomes desde que o presidente da Coteminas disse a Alckmin, na última segunda-feira 23, que não ocuparia o posto. O nome mais cotado neste cenário é o do deputado federal e ex-ministro da Educação Mendonça Filho, pré-candidato ao Senado por Pernambuco.

“Prejudica muito, não pelo Mendonça, mas o PRB tem dificuldade de o DEM ficar com a vice e a presidência da Câmara”, diz Marcos Pereira, presidente do PRB, que descarta o nome do empresário Flávio Rocha (PRB) à vaga. O dono da Riachuelo, que desistiu de concorrer à Presidência há duas semanas, não pretende se engajar na campanha eleitoral.

Além da hegemonia demista que a indicação representaria dentro do Centrão, outros líderes do grupo, inclusive do próprio DEM, afirmam, reservadamente, que a escolha de um ex-ministro do impopular governo Michel Temer como vice de Geraldo Alckmin facilitaria que adversários carimbassem o tucano como “candidato do Temer”. “Leva um fio desencapado para dentro da chapa”, diz um deles. “Efetivamente não é bom, não convém”, observa outro.

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Enquanto colegas de bloco torcem o nariz para um possível vice do DEM, líderes do partido dizem que a prioridade da sigla é um acordo em torno da recondução do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), ao posto em 2019. “Todo mundo sabe que o Democratas está focando a prioridade no espaço futuro do Rodrigo. É muito difícil um partido só ficar com duas posições”, ressalta uma liderança do DEM.

Antes da declaração oficial de apoio do Centrão à candidatura de Geraldo Alckmin, que será confirmada nesta quinta-feira, 26, em Brasília, caciques do bloco se reunirão na noite desta quarta-feira 25, na capital. Outro nome discutido pelo grupo é o do ex-ministro Aldo Rebelo, apresentado pelo Solidariedade.

Diante do impasse causado pela negativa inicial de Josué Gomes, Geraldo Alckmin declarou nesta semana que “vice é uma construção coletiva”, e auxiliares do tucano afirmam que a indicação do companheiro de chapa dele caberá mesmo aos aliados. Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo nesta quarta, o empresário declarou apoio ao ex-governador paulista, mas não indicou sua decisão sobre o convite.

Dentro do Centrão, a posição de Josué causou desconforto em alguns líderes. “O PR cometeu um erro grave, todo mundo concordava com o vice dele e ele não conseguiu convencê-lo, perdeu a oportunidade”, critica o presidente de um dos partidos que compõem o grupo.

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Caso Josué Gomes mantenha a decisão de não concorrer, a definição do vice de Alckmin não deve ser tomada entre hoje e amanhã. O bloco trabalha com o prazo final do dia 4 de agosto, data da convenção que lançará o tucano como candidato ao Palácio do Planalto.

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