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Líder do governo na Câmara admite preocupação com prisão de Delcídio

José Guimarães tratou a prisão do correligionário como algo “inusitado” e tentou distanciar o Planalto do caso

O deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, reconheceu nesta terça-feira a preocupação do governo federal com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder da presidente Dilma Rousseff no Senado. O petista tratou a prisão do correligionário como algo “inusitado” e tentou distanciar o Planalto do caso, ao defender que as votações sejam mantidas. Ele foi o primeiro representante do governo a falar diretamente sobre a prisão de Delcídio – questionado horas antes, o ministro da Educação, Aloizo Mercadante, desconversou sobre o caso e apenas disse que o governo vai ‘superar as dificuldades políticas’.

“Qualquer cidadão brasileiro parlamentar, independentemente de ser governo ou oposição, o fato é preocupante até porque é único na história do Brasil”, disse Guimarães. “Com um fato desses é claro que a gente não pode deixar de estar abalado. É um amigo, um senador atuante e todo mundo fica: o que fazer agora?”.

Guimarães vai tentar manter a base de Dilma a postos para votações de matérias econômicas no Congresso Nacional. A intenção do governo é deixar a prisão de Delcídio circunscrita ao debate do Senado, instância que pode reverter a decisão judicial.

A prisão de um senador em exercício do mandato chacoalhou os corredores da Câmara, sobretudo depois da confirmação nesta manhã pela 2ª Turma do Supremo. Parlamentares entenderam o recado dado pelos ministros de que interferências na Lava Jato não serão toleradas. “Esse assunto não deve contaminar o funcionamento da Casa. O governo quer votar, o governo não pode, em função deste episódio, paralisar o país. Aquilo que é imperativo para o governo é votar as matérias do Congresso de hoje para amanhã.”, afirmou o líder do governo.

“Há uma questão inusitada, é o ineditismo da prisão do senador Delcídio do Amaral, mas evidentemente nós temos prazo para votar o PLN-05. As coisas têm que caminhar seus leitos normais. Houve uma decisão inusitada do Supremo e cabe aos senadores dar uma solução para o problema. Os senadores saberão enfrentar com rigidez e transparência essa questão, nós vamos aguardar os desdobramentos”, completou Guimarães.