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Lewandowski vota destino de Dirceu como corruptor

Na última sessão, ministro revisor absolveu o petista José Genoino do crime de corrupção e contestou as provas do Ministério Público contra mensaleiros

Por Laryssa Borges 4 out 2012, 07h20

O ministro revisor no julgamento do mensalão, Ricardo Lewandowski, retoma a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira com a análise da participação do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, no esquema de cooptação de parlamentares e de compra de votos. Na sessão anterior, o ministro livrou o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino do crime de corrupção ativa e colocou em xeque as provas apresentadas pelo Ministério Público contra os mensaleiros.

O magistrado, que tem se classificado como uma espécie de contraponto ao relator, Joaquim Barbosa, começou a construir nesta quarta-feira a tese de que coube ao ex-tesoureiro petista Delúbio Soares e ao publicitário Marcos Valério a função de “articuladores principais” do mensalão. Com isso, absolveu Genoino, ainda que tenha sido a assinatura do então dirigente do PT uma das garantias para a concessão de empréstimos fraudulentos à legenda junto ao Banco Rural. O ex-presidente do partido não nega ter assinado os papéis que permitiram a liberação mascarada dos recursos. Mas, para Lewandowski, a rubrica de Genoino funcionou mais como um “aval moral” do que propriamente como uma autorização da direção da legenda para a tomada fraudulenta de dinheiro.

A falta de provas cabais, na avaliação do ministro, contra Genoino, tende a ser repetida no voto que dará hoje em relação a José Dirceu. Ainda que o Supremo venha atestando a validade e importância das provas indiciárias, que permitem, por meio da dedução, comprovar que determinado fato ocorreu, Lewandowski resumiu seu entendimento com ironia: “Vamos acusando, e o réu depois que se incumba de se defender”.

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No início do julgamento do mensalão, há dois meses, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que José Dirceu, como um típico “chefe da quadrilha”, não deixava rastros de suas ações, embora considere que sempre houve “provas torrenciais” contra o ex-chefe da Casa Civil.

“O autor intelectual, quase sempre, não fala ao telefone, não envia mensagens eletrônicas, não assina documentos, não movimenta dinheiro por suas contas, agindo por intermédio de ‘laranjas'”, explicou Gurgel na ocasião.

Após a manifestação de Lewandowski sobre José Dirceu, começam a votar nesta quinta-feira os ministros Rosa Weber, José Antonio Dias Toffoli, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Ayres Britto. A expectativa é que o destino da trinca petista – formada pelo ex-ministro, por Genoino e por Delúbio Soares – só seja conhecido na próxima terça-feira. Depois, portanto, do primeiro turno das eleições municipais.

Diário do julgamento

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