Leia o que diz Vorcaro sobre o chefe da PF no depoimento ao gabinete de Mendonça
Ex-dono do Master detalha relação pessoal com diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues
O Radar obteve os detalhes do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro André Mendonça. O ex-dono do Master citou detalhes da sua relação com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Confira abaixo os trechos:
DV: O próprio diretor‐geral, o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente. E aí, depois, os delegados que estão fazendo a colaboração, que estão escutando o que eu tenho para falar, não quiseram escutar, não quiseram fazer. Então, a pedido dele, só para completar, que eu falei de um modo muito genérico, mas o meu receio maior também é sobre isso, e acho que vocês vão de convir comigo o motivo pelo qual eu tenho bastante receio, mas esse exemplo de situações que aconteceram de modo pretérito, anterior à operação, são, também, das causas que me fazem acreditar que as intimidações ou a ausência de interesse em escutar a minha colaboração quando [ininteligível].
No trecho seguinte, Vorcaro é questionado sobre a quem ele se referia:
JUIZ ‐ O senhor falou um pouco baixo, só para ver se eu entendi, o senhor está se referindo ao Diretor‐Geral da Polícia Federal o Doutor Delegado Andrei Rodrigues?
DV ‐ Isso, isso.
JUIZ ‐ Está certo. Mais alguma coisa que o senhor queria complementar?
DV‐ Acho que é isso.
JUIZ ‐ Está certo. O senhor falou que os delegados depois, durante a delação, não quiseram ouvir. O senhor quer detalhar como que eles não quiseram, se eles fizeram alguma intimidação nesse momento?
DV – Pedi diversas reuniões não foram atendidas, não atenderam os advogados, quando atenderam os advogados, era simplesmente de
maneira protocolar, sem a menor interesse [ininteligível].
JUIZ ‐ Eles te transmitiram alguma intimidação pessoal?
DV‐ Não.
JUIZ ‐ Algum delegado virou para você…
DV ‐ Lá na…
JUIZ ‐ É.
DV ‐ Várias vezes passavam e falavam, como eu te falei. Diversos casos, eu estava ali dentro da casa, diversas vezes eu estava passando…
Mais adiante no depoimento, um representante do Ministério Público que participou da reunião, interpela o depoente sobre a relação mantida pelo banqueiro com o chefe da PF e o conteúdo de uma potencial delação premiada.
MP‐ Obrigado, Excelência, bom dia a todos. Bom dia, senhor Daniel, tudo bem? São pequenas perguntas de ajuste. O senhor mencionou a relação com o senhor Andrei, mencionou também o interesse e a construção de proposta de acordo de colaboração. Essa relação com o senhor, esses eventos de relação que o senhor mencionou com ele, algum fato, ele passa também pelos fatos que o senhor pretendia narrar nessa colaboração?
DV ‐ Sim, porque toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar. Eu pretendia…. Na minha opinião, os fatos estão tão diferentes da realidade, doutor, que só a verdade hoje vai me libertar. Então, eu quero muito, desde… tem alguns meses que eu quero falar a verdade. Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei. Porque eu não era a pessoa e nem os fatos que estão sendo relatados ali. E envolve todo esse núcleo. E eu, desde o começo, sempre fui muito resistente, reticente. Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso não aconteceu, desde o começo, com a polícia. E isso me incomodou. Somado a essas falas e tudo, no ambiente em que eu estou vivendo, de
exposição, de destruição, de prisão da família toda, tudo vira mais exponencial ainda. Às vezes, pequenas falas, elas são mais intimidadoras do que uma situação normal.
No trecho a seguir, Vorcaro é questionado pelo advogado se o diretor-geral da PF poderia ser citado como um dos envolvidos no escândalo do Banco Master.
ADVOGADO ‐ Só para deixar isso claro. Agora, você fez menção, você deu um exemplo aí, quando eu falei pra você dar algum exemplo, você deu um exemplo do diretor da Polícia Federal. Se, eventualmente, você tivesse a oportunidade de retomar uma delação, ele seria um dos nomes que você falaria?
DV ‐ Ele estaria, sim, dentro do contexto dessa questão do evento de relações que eu acabei desenvolvendo, que eu acabei executando coisas que… para que pudesse me proteger.
ADVOGADO ‐ Então, você acredita que outras delações não andaram porque, efetivamente, em algum momento, você pudesse falar dele, ele exerce alguma [ininteligível].
DV ‐ Não só ele, como outras pessoas ligadas a um
núcleo político que, hoje, efetivamente, existe um interesse político também. Mas sim.
ADVOGADO ‐ A gente não está no momento certo disso, mas, em relação a ele ‐ aqui estou falando porque você narrou muita coisa que você sofreu na Polícia Federal ‐ e o teu entendimento, o que eu estou retratando, o teu entendimento é que as tuas colaborações na Polícia Federal não andam porque vir uma pressão de cima para baixo, correto?
DV ‐ Isso eu tenho certeza. Não tenho nem entendimento. Isso eu tenho certeza.
ADVOGADO ‐ E você acha que isso pode estar acontecendo porque, de alguma forma, o diretor ou pessoas ligadas a ele podem estar influenciando isso?
DV ‐ Claro. Hoje, o caso, como ele está no Supremo, nas mãos de pessoas… A gente sabe, não conheço bem, os senhores conhecem melhor do que eu, mas eu sei que existe uma independência [ininteligível] das organizações, seja o Ministério Público, seja a Polícia Federal. Nesse caso específico, [ininteligível] que está sendo pressionado de [ininteligível] entendimento não haja colaboração.
ADVOGADO ‐ O senhor deu um exemplo em relação a ele, então vou me ater a ele. Em relação ao diretor, você falou algumas coisas. Ele teria receio que você falasse que aconteceu alguma coisa de ilícita relacionada a ele ou uma pessoa próxima dele, que o senhor viesse a poder contar, que motivasse ele a te manter calado? Então, eu estou tirando isso da sua narrativa.
DV ‐ Então, doutor, eu estou sendo transparente. Eu não quero, nesse foro, detalhar as questões, mas, obviamente, se existe um interesse que eu não fale, é porque houveram situações que, dentro do contexto geral, de questões da moralidade e de questões de ilicitude foram afetadas e que seriam… haveria receio não só por parte dele, mas por parte de alguns membros, que eu acredito, do sistema político atual, que não teve [ininteligível].
ADVOGADO ‐ Entendi. E o senhor tem medo de falar isso ou está disposto a falar isso se for ouvido?
DV ‐ Dentro de um ambiente seguro, porque aqui eu estou fazendo algo… acho que todos entendem isso, não é brincadeira. Isso é uma questão muito séria. Então, obviamente, desde o começo estou querendo, só que, cada vez mais que eu tento fazer isso… Espero que esse ato aqui não seja como os outros, espero de verdade, um voto de confiança, para que esse ato não seja como os outros, porque todos os atos que eu forcei, e vou lá, quero falar e vamos sentar, todos os atos que eu fiz isso, em que disse e respondi essa sua pergunta, eles culminavam em situações que pioraram a minha situação, pioraram a situação da minha família e devastaram toda a minha família. Isso é o que aconteceu até hoje. Então, já tinha desistido por isso, já tinha desistido de fazer isso, mas eu sempre tive interesse.
Como eu disse, está tão longe da verdade, eu tenho tanto a contribuir, mesmo com meus erros… Hoje eu prefiro externar meus erros e me libertar, porque eu estou externando porque é a verdade, eu preferiria isso do que simplesmente acabar o caso, sair, eu preferiria isso.
Leia aqui a íntegra do depoimento de Daniel Vorcaro ao ministro do STF, André Mendonça.







