Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Lava Jato: juiz vai ouvir Venina na próxima terça

Ex-gerente da Petrobras que alertou sobre esquemas de desvios de recursos da estatal já foi ouvida e apresentou documentos ao Ministério Público

Por Laryssa Borges - 29 jan 2015, 15h06

A ex-gerente da Diretoria de Refino e Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, que disse ter alertado a cúpula da Petrobras sobre irregularidades e desvios na estatal, vai prestar depoimento à Justiça Federal do Paraná na próxima terça-feira. O juiz Sergio Moro, que é responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, aceitou nesta quinta que o Ministério Público substituísse o depoimento do executivo João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, apontado como laranja de Alberto Youssef e responsável por gerenciar as contas do doleiro na Suíça, pela oitiva de Venina.

Em dezembro, a ex-gerente já havia prestado os primeiros esclarecimentos ao Ministério Público e confirmado que os altos diretores da companhia, incluindo a presidente da Petrobras, Graça Foster, foram avisados previamente por ela e sabiam pelo menos desde 2009 de irregularidades na estatal. Venina prestou esclarecimentos na condição de testemunha de acusação e, sob juramento, apresentou às autoridades notas fiscais, cópias de e-mails, atas de auditoria, relatórios internos da petroleira e deixou com o Ministério Público até seu próprio computador pessoal, com detalhes de como foram celebrados contratos na companhia.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, Venina começou a suspeitar de problemas quando percebeu que os gastos com pequenos contratos de prestação de serviços avançaram de 39 milhões de reais para 133 milhões de reais em 2008, sem razão clara. Em sua apuração interna, a gerente detectou que a estatal estava pagando por serviços de comunicação que sequer estavam sendo prestados. Sua primeira atitude foi informar Paulo Roberto Costa, seu superior direto, e pedir mais rigor na fiscalização dos contratos. Paulo Roberto Costa, segundo Venina, apontou para o retrato de Lula em sua sala e perguntou: “Você quer derrubar todo mundo?”. A gerente então encaminhou as denúncias ao presidente Gabrielli que, após auditoria interna, acabou demitindo o diretor de Comunicação, Geovanne de Morais.

Leia também: Sócio da UTC indica ministro de Dilma como testemunha

Publicidade

Conforme o jornal, a diretoria atual da Petrobras não impediu um esquema de desvio de milhões de reais no exterior, causado pelo pagamento de comissões extras a negociadores de óleo combustível, os traders. A informação tem como base documentos internos e mensagens encaminhadas por Venina. Segundo a publicação, os negociadores da Petrobras vendiam petróleo a um valor mais baixo, recebendo, por fora, comissões dos compradores – o que prejudicava os resultados da empresa.

Os traders beneficiados atuavam em Cingapura, onde Venina trabalhou, e também em outros escritórios da petroleira no exterior. Apesar das denúncias, esses negociadores não foram descredenciados pela estatal, mas receberam suspensões temporárias e voltaram a trabalhar. Já Venina teve seu salário cortado em aproximadamente 40% e foi afastada do cargo.​

Publicidade